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17 outubro 2018
Texto de Sónia Balasteiro Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de Miguel Ribeiro Fernandes Fotografia de Miguel Ribeiro Fernandes

«Um exemplo de serviço público»

​​​​​​​​​​​​​​Marcelo Rebelo de Sousa visita Farmácia da Lajeosa um ano após incêndio. 

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«Haver aqui na Lajeosa uma farmácia, e ter feito o que fez, é um exemplo. Porque não ficou por reconstruir o que era preciso reconstruir. Deu um salto, investiu no futuro, no emprego, nas populações. Isso é um serviço da comunidade, é verdadeiramente serviço público». Foi com estas palavras que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, definiu o percurso da Farmácia da Lajeosa no último ano.



O chefe de Estado escolheu o dia 16 de Outubro, precisamente um ano após os incêndios que fustigaram a região Centro, para visitar a pequena vila da Lajeosa do Dão, no concelho de Tondela, e apontou a Farmácia da Lajeosa como exemplo de resistência perante a adversidade. O proprietário, Hugo Ângelo, e a sua equipa, recorde-se, reabriram portas menos de 24 horas depois, em instalações provisórias da Junta de Freguesia.

«Devemos às farmácias, aos farmacêuticos e a todos os que trabalham na farmácia um serviço comunitário, de proximidade às populações, de conhecimento de cada pessoa, da sua vida, do seu percurso, dos seus problemas. E isso é insubstituível», sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, junto às obras daquela que será a nova Farmácia da Lajeosa.



Em 2017, o Presidente da República foi fundamental para Hugo Ângelo conseguir transformar a adversidade em oportunidade de melhorar o serviço prestado aos 2 mil habitantes da vila da Lajeosa. «Para mim, a visita do senhor Presidente tem um significado especial. Depois de a farmácia arder, havia a solução imediata de reconstruir no local destruído», recorda o proprietário, que também é o director-técnico.



As palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, porém, deram-lhe a «confiança» necessária para avançar com o projecto de construção de uma nova farmácia. «Após os incêndios, [o Presidente da República] disse que não bastava reconstruir o que foi destruído. Era preciso aproveitar para dar o salto, ir mais além e que, se não fosse agora, não seria nunca mais». O farmacêutico seguiu o conselho.

A construção das novas instalações, iniciada em Agosto, e a 400 metros da farmácia ardida, tem conclusão prevista para Abril de 2019. Dentro de um ano, acredita Hugo Ângelo, haverá na Lajeosa uma «farmácia com um serviço e uma qualidade» superiores, ao serviço da população. «Conseguirmos transformar esta adversidade numa oportunidade é para nós um motivo de orgulho e de força para o futuro», congratula-se.



Entretanto, os sete profissionais de saúde da Farmácia da Lajeosa continuam a servir os utentes, maioritariamente envelhecidos, nas instalações da Junta de Freguesia. «Neste momento, diria que estamos a ocupar dois terços do rés-do-chão. Partilhamos o espaço de atendimento com os Correios e o balcão de atendimento da Junta de Freguesia. O armazém e alguns gabinetes funcionam no primeiro andar», explica Hugo Ângelo.



Na Lajeosa, todos contam com a farmácia e elogiam a solidariedade dos seus profissionais. É o caso de Luís Peixoto, de 28 anos. Em Outubro, perdeu 160 ovelhas e os barracões onde estavam instaladas, o sustento da família. Também ele está a reerguer-se, com a ajuda de amigos e familiares. «Já conseguimos reconstruir um barracão para alojar as ovelhas que sobreviveram, adquirir mais, para os meus pais terem algum sustento, a nível de leite e das crias», conta o jovem. 

Neste percurso de reconstrução, Hugo Ângelo teve um papel fundamental, garante o jovem. «Após o incêndio, muitas ovelhas sobreviveram e ficaram maltratadas. O doutor Hugo disponibilizou-se a ajudar-nos com medicação para os animais. Ajudou-nos em tudo». 



Passar do desespero à esperança e iniciativa apenas foi possível devido ao apoio e à união da «maior rede privada de saúde em Portugal», diz, por seu lado, Hugo Ângelo. «As forças internas da minha equipa, as forças do nosso sector, que não nos deixaram ir abaixo, Infarmed, Alliance Healthcare, Ordem dos Farmacêuticos, entidades, colegas de todo o país, de Norte a Sul, deram-nos alento e solidariedade», conclui o farmacêutico.

 

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