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6 setembro 2021
Texto de Sandra Costa Texto de Sandra Costa Fotografia de Pedro Faria Fotografia de Pedro Faria

O arquipélago da segurança

Testagem nas farmácias decisiva para o turismo na Madeira.​

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​A Madeira está entre os destinos europeus mais seguros para viajar em 2021. «O arquipélago soube desde muito cedo tomar medidas sanitárias para proteger os seus habitantes e manteve-se na zona verde com uma das taxas mais baixas de casos activos na Europa», justifica o European Best Destinations, portal de turismo mais visitado da Europa.


​«Foi fácil de marcar e recebemos o resultado em meia-hora», contam Sue e Dave, turistas britânicos

Os turistas que seguiram esta recomendação mostram-se satisfeitos. «Escolhemos a Madeira porque é um local seguro e também porque sempre quisemos cá vir. Foi a nossa primeira vez aqui e adorámos», declara o casal inglês Sue e Dave. «As medidas sanitárias aqui são muito melhores do que no Reino Unido, sentimos que é tudo muito seguro», reforça o compatriota Dean. Vieram todos fazer um teste rápido de antigénio (TRAg) à Farmácia Funchal, no centro da cidade. Precisam dele para poderem embarcar no avião de regresso a casa. «Escolhemos esta farmácia por ficar perto do nosso hotel. Correu tudo de forma profissional», avalia o casal. «O processo correu muito bem. Foi fácil de marcar e recebemos os resultados em meia-hora», agradece Dean.


«Na Madeira, as medidas sanitárias são melhores do que no Reino Unido», afirma Dean

Os turistas podem fazer um TRAg à saída oferecido pelo Governo Regional, nos termos de um protocolo a que, até ao fim de Julho, já tinham aderido 41 das 65 farmácias da Região Autónoma da Madeira (RAM). O facto de o turismo representar 26 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da RAM justifica o investimento, na visão do Secretário Regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, que está muito satisfeito com os resultados. Também os residentes têm direito a fazer um teste rápido, a cada 15 dias, numa farmácia da sua preferência. «Tenho de fazer o teste de antigénio por causa da gravidez. O ideal é fazê-lo na farmácia, é muito melhor do que no hospital, onde as filas de espera são muito grandes, mesmo para as grávidas», comenta a funchalense Marta Rodrigues.


«É muito melhor fazer os testes na farmácia do que ter de ir ao hospital», considera Marta Rodrigues, que está grávida

A testagem em massa obrigou ao alargamento de horários e está a exercer uma grande pressão sobre as equipas. Para as farmácias da RAM, está a ser encarada como uma “prova dos nove”, em que não admitem falhar. «Queremos mostrar que podemos ser a solução no futuro, na vacinação ou noutros serviços. Provar que podem contar connosco e confiar que somos capazes», afirma o farmacêutico Carlos Delgado. «É o primeiro serviço remunerado que as farmácias têm», recorda o delegado regional da Associação Nacional das Farmácias.

A Farmácia Funchal, instalada num centro comercial LA VIE, já faz cerca de 100 TRAg por dia. Farmacêuticos e enfermeiras desdobram-se na realização de testes, cujo horário foi alargado até às 22h30, hora de encerramento da farmácia. Seis farmacêuticos já se dedicam ao serviço. A equipa de enfermagem que serve as quatro farmácias do grupo foi reforçada, de duas para sete enfermeiras. Foram ainda contratadas duas assistentes operacionais, para aliviarem os profissionais de saúde das tarefas de comunicação de resultados nas plataformas online do Ministério da Saúde. 

Nos primeiros três meses do novo serviço, as farmácias fizeram mais de 65 mil testes a residentes, turistas e pessoas com bilhete para viajar entre as ilhas da Madeira e do Porto Santo. Desde 21 de Junho, todas as pessoas sem vacinação completa que entram na pequena ilha, por avião ou barco, têm de apresentar um teste negativo à COVID-19 e repeti-lo à saída. «As pessoas sentem que estão numa bolha de segurança», elogia a directora-técnica da Farmácia Porto Santo. Desde 21 de Junho que Sofia Antunes não faz o que mais gosta - atender ao balcão - para dar resposta às marcações de TRAg e reportar os resultados ao SINAVE - Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, «a parte mais morosa do processo». 

Em Abril, fazia dez a 15 testes por semana, agora faz mais de 100 por dia. É um «enorme acréscimo de trabalho»: onze horas diárias, das nove às 20, fins-de-semana incluídos, pausas de dez minutos para almoçar. «Quase não vou a casa», desabafa a farmacêutica. Mas não se arrepende, nem imagina que pudesse ter recusado o desafio, sendo a única farmácia da ilha. «Se queremos que o Porto Santo seja um destino apetecível, tem de ser com segurança. Este protocolo permite limitar o número de infecções», reconhece.


A directora-técnica da Farmácia Porto Santo fez uma parceria com enfermeiros para garantir testes a toda a gente

Os turistas representam mais de 99 por cento dos testados, a população local só recorre ao teste para viajar ou visitar familiares no lar. A equipa da Farmácia Porto Santo é a mesma todo o ano. No Inverno, é de mais para servir uma população de pouco mais de 4.000 pessoas. No Verão, desdobra-se para atender 25.000. Seis profissionais da farmácia asseguram o serviço. Para participar na testagem massiva, Sofia Antunes fez uma parceria com os enfermeiros do centro de saúde da ilha. No pavilhão multiusos, porque o espaço da farmácia deixou de chegar para tanta procura, Susana Velosa e oito colegas fazem testes nas folgas e tempos livres. «Muitos turistas dizem que gostavam que este serviço existisse nos seus países», conta a enfermeira porto-santense. «Além do trabalho exemplar que fazem no centro de saúde, colocam uma capa de super-homem e fazem mais testes nas horas vagas», agradece a farmacêutica.


Os farmacêuticos fazem formação específica para garantir a segurança dos testes

Os farmacêuticos envolvidos na testagem receberam formação específica abrangendo todas as variáveis do serviço, dos procedimentos da testagem ao tratamento dos resíduos dos testes. Formação e instalações não são problema. A pressão sobre os recursos humanos, sempre superior no Verão, é agora maior do que nunca. A testagem causa «algum stress no dia-a-dia das farmácias», afirma Carlos Delgado, director-técnico e proprietário da Farmácia Ponta do Pargo, na Calheta. Muitas vezes, são os próprios hotéis que contactam a farmácia, a marcar teste para os turistas que alojam. «Com o simples gesto de ir à farmácia, as pessoas obtêm o resultado num quarto de hora», descreve o delegado regional da ANF. 


​CRIANÇAS LIVRES PARA BRINCAR

Quem escolhe o Porto Santo como destino de férias, fá-lo pela praia de areia fina e água quente, uma das melhores da Europa. Para além dos estrangeiros, muitas famílias portuguesas regressam todos os anos. A ilha é uma boa alternativa ao Algarve, porque «crianças com dez anos podem andar sozinhas, sem preocupações», descreve a farmacêutica Sofia Antunes. Não é difícil aos adultos guardar distanciamento social na longa praia de areia dourada, nos hotéis e restaurantes. Com as crianças é diferente. O Clube Naval do Porto Santo promove campos de férias que reúnem crianças de famílias que convivem com turistas de todas as proveniências. «O facto de o acesso aos testes ser gratuito, rápido, fácil e sem burocracias é muito importante, para agirmos a tempo em caso de necessidade», considera Ana Lourenço, coordenadora dos campos de férias. «Na nossa farmácia sentimo-nos seguros, temos confiança nas pessoas que estão atrás daquele balcão», assegura.

​​​​​​Os testes rápidos dão segurança às crianças, elogia Ana Lourenço, coordenadora de campos de férias
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