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14 setembro 2018
Texto de Sandra Costa Texto de Sandra Costa Fotografia de Direitos Reservados Fotografia de Direitos Reservados

London calling

​​​​​​​​​​​​Reino Unido chama farmácias à saúde pública.

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O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido emitiu uma recomendação com vista à integração das farmácias nos programas de saúde pública. O objectivo da guideline “Farmácias Comunitárias: promovendo a saúde e o bem-estar”, emitida em 2 de Agosto, é «encorajar mais pessoas a usar as farmácias comunitárias, integrando-as nos programas de cuidados de saúde existentes».

O NICE é o instituto público responsável pelo estudo da eficácia clínica das intervenções em saúde, missão em que foi pioneiro e o tornou prestigiado em todo o mundo. Independente do Governo, tem o poder de emitir recomendações baseadas na evidência científica, dirigidas ao poder político, autoridades reguladoras, profissionais de saúde e unidades do National Health Service, equivalente em Inglaterra ao nosso Serviço Nacional de Saúde. Também influencia as políticas das autoridades de saúde da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales.

A recomendação descreve que «as farmácias comunitárias oferecem um serviço socialmente inclusivo e de fácil acesso a todos», pelo que devem ser «a primeira escolha para apoio e aconselhamento em saúde», actuando como pólos de saúde e bem-estar.

«Um aspecto-chave para encorajar mais pessoas a usar os serviços das farmácias é assegurar que estão totalmente integradas no sistema de saúde, incluindo as outras farmácias», defende o NICE. Graças à facilidade de acesso, as farmácias estão bem posicionadas para «dar resposta às desigualdades no acesso à saúde, satisfazendo as necessidades específicas de grupos em risco de exclusão social». O instituto defende a importância de mais estudos para aferir como a resposta das farmácias aos grupos mais vulneráveis se compara à prestada por outros serviços de saúde, assim como para se perceber como esses serviços devem ser personalizados.

O NICE recomenda às farmácias o desenvolvimento de serviços standard, «para que as pessoas saibam o que podem encontrar em toda a rede». É ainda importante que informem o público de forma consistente, acerca dos serviços que disponibilizam e quanto às qualificações e especializações das respectivas equipas.

As farmácias devem identificar oportunidades para promover serviços de saúde e bem-estar. Para isso, é importante que as suas equipas recebam formação em aconselhamento em saúde e bem-estar, temas prioritários de saúde pública e até em técnicas de mudança de comportamento. A informação ajuda as pessoas a melhorar comportamentos e estilos de vida, sobretudo quando prestada por profissionais de saúde no contexto de uma conversa.

Os dados recolhidos pelo NICE mostram que as farmácias prestam, com resultados positivos, aconselhamento sobre saúde e bem-estar aos doentes crónicos e a cidadãos interessados em adoptar estilos de vida mais saudável. O texto da guideline aponta como exemplos o aconselhamento sobre diabetes e hipertensão. Refere também a eficácia do aconselhamento farmacêutico na cessação tabágica, redução do consumo de álcool e melhor controlo do peso corporal.

Este instituto de referência defende a realização de mais investigação para comprovar a eficácia da intervenção farmacêutica na prevenção do cancro, na minimização do risco no abuso de drogas, na saúde sexual e na saúde mental.

A recomendação refere ainda que a referenciação formal da farmácia para outros cuidados de saúde é mais eficaz do que a sinalização, potenciando a adesão por parte da pessoa, «especialmente se lhe for explicado claramente por que vai ser referenciado e o que pode esperar».

É identificado como problema o facto de nem sempre as farmácias poderem fazer referenciações formais, ou aceitá-las de outros serviços, por não estarem integradas nos programas oficiais de cuidados de saúde. O NICE advoga que «as ligações com outros prestadores de cuidados de saúde são essenciais para garantir a continuidade efectiva dos cuidados e assegurar que as pessoas beneficiam do sistema, em especial aquelas que não utilizam outros serviços de saúde, como é o caso das pessoas em risco de exclusão social».