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2 agosto 2019
Texto de Carlos Enes / Rita Leça Texto de Carlos Enes / Rita Leça Fotografia de Miguel Ribeiro Fernandes Fotografia de Miguel Ribeiro Fernandes

«Farmácias são fundamentais»

​​​​​​​​​​​​​​​Presidente Marcelo inaugura farmácia em Lajeosa do Dão.

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O Presidente da República voltou a chamar a atenção para a importância das farmácias para as populações que vivem mais isoladas. «Uma palavra para o papel das farmácias por todo o país, sobretudo naqueles "portugais" que são, muitas vezes, mais esquecidos por quem vive naquele Portugal que aparece mais vezes na televisão, na rádio e nos jornais», disse Marcelo Rebelo de Sousa, na inauguração das novas instalações da Farmácia da Lajeosa, que ardeu no grande incêndio de Outubro de 2017.


Marcelo lembrou que «os menos novos precisam de mais cuidados»

O chefe de Estado defendeu a manutenção de serviços de saúde de proximidade nas regiões cada vez mais vastas do Interior marcadas pelo despovoamento, a desertificação e o envelhecimento. «É fundamental que a saúde esteja presente nesses "portugais" esquecidos. Sobretudo num país como o nosso que, infelizmente, ainda continua a envelhecer», sublinhou. Marcelo recordou que «o grupo dos menos jovens exige cuidados mais complicados, mais duradouros, em que a proximidade é fundamental, porque nem todos têm a possibilidade de se deslocar longe».

Neste século, o Estado fechou 757 extensões de centros de saúde até 2011. Continuou a fazê-lo na última década. No entanto, com o agrupamento dos centros de saúde e a respectiva renomeação, o Instituto Nacional de Estatística deixou de perceber e de publicar os números sobre esse fenómeno de encerramento em massa de serviços. Marcelo Rebelo de Sousa considera «impensável» o agravamento desta tendência. Deu como exemplo a extensão de saúde da Lajeosa do Dão e mostrou estar informado de que ainda tem «uma médica quatro vezes por semana».

Para o Presidente da República, a concentração de serviços, públicos e privados, nas regiões urbanas, ameaça a igualdade no acesso à saúde. «Uma das conquistas do 25 de Abril é a Saúde, que envolve o Serviço Nacional de Saúde e outros também empenhados na saúde», declarou. A farmácia e a extensão de saúde da Lajeosa do Dão são «fundamentais para não termos, ainda mais do que já temos, portugueses de primeira, de segunda, de terceira e de quarta. Não pode ser! Temos de caminhar para sermos todos cidadãos de primeira. Porque é isso, verdadeiramente, a igualdade entre os portugueses».


O dia foi de festa rija, com a população reunida na farmácia​

O farmacêutico Hugo Ângelo sublinhou a «luta pela sobrevivência» desde que adquiriu a Farmácia da Lajeosa, há 12 anos. «Nos dias de hoje, o trabalho na farmácia é árduo e muito minucioso. Para além das necessidades de cada utente, temos de estar atentos aos medicamentos esgotados», descreveu. O director-técnico mostrou-se orgulhoso pelo serviço que oferece em Lajeosa do Dão, vila do concelho de Tondela com menos de dois mil habitantes. «A rede de farmácias é fundamental para a coesão territorial, porque presta serviço de excelência, quer estejamos numa grande cidade ou no Interior do país», declarou Hugo Ângelo. «Infelizmente temos assistido a uma degradação dos serviços públicos de proximidade, designadamente dos serviços de saúde. Isso tem de parar», apelou o farmacêutico, em consonância com o Presidente da República. ​


​​O farmacêutico Hugo Ângelo agradeceu à sua equipa por «aguentar» a farmácia enquanto ele tratava do novo investimento

O director-técnico agradeceu os apoios públicos e privados que recebeu para erguer as novas instalações e prestou homenagem pública à sua equipa, que aguentou a farmácia em instalações provisórias, cedidas pela junta de freguesia, desde o trauma do incêndio. Para além do director-técnico, a Farmácia da Lajeosa tem uma farmacêutica-adjunta, Conceição Correia. A equipa conta com quatro técnicas de farmácia – Cláudia Loureiro, Cristina Figueiredo, Fátima Figueira e Tânia Milhães –, a auxiliar Marisa Canas e a estagiária administrativa Sónia Sobral.​


Beatriz e o futuro


A antiga farmácia ardeu por completo no incêndio de Outubro de 2017​

No dia 15 de Outubro de 2017, o grande incêndio na região Centro destruiu 50.000 hectares e matou 48 pessoas. A Farmácia da Lajeosa e a Farmácia Central, de Melo, Gouveia, foram totalmente arrasadas pelas chamas. No dia seguinte, já estavam outra vez ao serviço, em instalações provisórias cedidas pelas juntas de freguesia.


Marcelo Rebelo de Sousa incentivou o farmacêutico a responder à tragédia com novas instalações

O Presidente da República visitou a primeira há um ano. Incentivou o farmacêutico proprietário a aproveitar a tragédia para investir em novas instalações e prometeu voltar para a inauguração.


O Presidente cumpriu a promessa de voltar para a inauguração

​Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu a promessa. O dia 19 de Junho foi dia de festa rija na Lajeosa do Dão, com um almoço aberto a toda a freguesia, como desejado pelo chefe de Estado, simbólico da igualdade de direitos entre cidadãos. Para além da inauguração da farmácia, o director-técnico celebrava o primeiro aniversário do nascimento da filha Beatriz.

O Presidente da República fechou o seu discurso com um voto de parabéns, que foi simultaneamente uma declaração política em favor do futuro do Interior. «É uma feliz coincidência o aniversário da Beatriz. A mãe foi das pessoas que mais se arriscaram no combate ao incêndio. O nascimento da Beatriz é um sinal de futuro. É importante haver crianças a nascer, poderem ser jovens e ter emprego para ficar onde nasceram. Para que não morram povoações e Portugal seja mais equilibrado no seu território», desejou Marcelo Rebelo de Sousa.
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