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3 março 2018
Texto de Sónia Balasteiro Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro

Do campo, com amor

​​​​​​​O figurado de Estremoz é o primeiro património cultural e imaterial da Humanidade. 
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​Numa cidade do alto Alentejo, há uma arte única com mais de três séculos: os bonecos de Estremoz.

«É muito interessante», apresenta José Carlos Cortes, orgulhoso do figurado da sua terra, recentemente elevado a património cultural da Humanidade. «É um gosto. Este barro figurado não é só a estátua que é construída. São os temas: vão beber um pouco ao religioso, mas principalmente ao que eram as figuras típicas do meio alentejano: o pastor, o porqueiro, a aguadeira, a queijeira, o fidalgo. Enfim, toda a imagética do que era a nossa realidade social há 50, 100, 200 anos». 

Afonso Ginja, um dos artesãos que fazem bonecos de Estremoz, também se envaidece com a distinção. «Foi motivo de orgulho para nós todos, um prémio pelos 40 e não sei quantos anos em que eu faço bonecos», congratula-se, sem deixar de esculpir uma cabeça em barro. 

Só quando fizer cerca de 40 peças - explica - é que irão ao forno. «Ficam a 950 graus, em brasa viva, tiro-as e depois pinto-as». 

Iniciou-se na arte em 1974, com um irmão, e nunca mais parou. «Já fiz muitos bonecos. Muitos, muitos» - diz - enquanto mostra as figuras expostas no ateliê da Rua Direita. «Faltam bastantes. Mas temos ainda um pastor com uma ovelhinha ao colo; um par de campo, um par de fidalgos – a classe pobre e a classe rica – a aguadeira, o porqueiro, o senhor de capote». E conclui: «Estes bonecos sempre foram feitos assim. Espero que isto agora vá para a frente».  

 


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