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29 abril 2021
Texto de Vera Pimenta Texto de Vera Pimenta Fotografia de Ricardo Castelo Fotografia de Ricardo Castelo Vídeo de Nuno Santos Vídeo de Nuno Santos

Uma aldeia perdida no tempo

​Quintandona é um refúgio de paz a 30 minutos do Porto.​

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Em Quintandona, rústicas casas pintadas de xisto e granito contam a história de uma aldeia agrícola onde, há mais de 400 anos, a população se dedicava ao amanho da terra. Naquele tempo, o gado dormia no rés-do-chão, para ajudar a aquecer o andar de cima. E os caldos eram o principal sustento da comunidade a todas as horas do dia.  



Belmiro Barbosa, responsável pela CasaXiné, associação para promoção e desenvolvimento cultural, já se habitou a despertar a curiosidade dos visitantes. Há 16 anos, foi por sua iniciativa que se iniciou a recuperação da aldeia. Com o envolvimento da comunidade, o sonho tornou-se realidade. Hoje, é com orgulho que vê crianças a correr pelas calçadas, acompanhadas por famílias que por ali se fixaram. 

O turismo chegou aos poucos. Quem visita, procura a paz da ruralidade a um passo da cidade, numa experiência imersiva na gastronomia, na cultura e na história locais. A visita, que arranca no Centro Interpretativo, tem passagem obrigatória pela capela, pelo pelourinho e pelo lavadouro público. Pelo caminho, há que se perder no charme das casas, fascinantes em cada detalhe. 



No terceiro fim-de-semana de Setembro, a Festa do Caldo é o pretexto ideal para uma visita. Com as tradições locais em primeiro plano, os campos enchem-se de iguarias, artesanato e muita música, juntando anualmente cerca de 17.000 pessoas. 

No arranque das festividades, a prioridade é prender o Jebo. «O Jebo passa o ano a fazer tropelias na aldeia», explica Belmiro, sorridente. «E tem de ficar preso aqueles três dias para que a comunidade esteja sossegada». 

Reza a lenda que esta figura mítica, que não é homem nem é bicho, é filho de uma bruxa e do diabo – ou talvez tenha sido imaginada pelo grupo de teatro local, os ComoDEantes. O que é certo é que a Festa do Caldo só acaba quando o Jebo é libertado. Com um brinde embalado pelo licor oficial de Quintandona, criado em sua honra.
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