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29 agosto 2019
Texto de Maria João Veloso Texto de Maria João Veloso Fotografia de Ricardo Castelo Fotografia de Ricardo Castelo

O primeiro dia

​​​​​​​​​​​​​​​​​​Ajude os seus filhos a entrar no jardim de infância.

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Ao deixarem um filho no jardim de infância, os pais vivem múltiplos sentimentos. O mais comum é a culpa, mas também o sentimento de perda. Mães mais dramáticas sentem de novo o cortar do cordão umbilical, adormecido pela licença de maternidade.

Rodrigo, de Lisboa, será o último Bebé Saúda a entrar nesta aventura. A mãe, Ana Sanches, defende que «não vale a pena criar expectativas», uma vez que nunca se sabe como a criança vai reagir. E avança que o marido, Diogo Onofre, tirou férias na primeira semana de escola para o acompanhar nos primeiros dias. «Com muita calma e empatia para a nova etapa, que trará desafios a todos», diz, confiante.

O pediatra Lincoln Justo da Silva lembra que antigamente as crianças cresciam em grupos relativamente grandes. Numa só casa coabitavam pais, avós, tios e primos. «Havia maior interacção entra a casa e o quintal». Esse mundo encantado já quase não existe.

Actualmente, os filhos são únicos ou aos pares e com eles “nascem” também pais solitários na complexa aventura de cuidar dos filhos. Para o pediatra Saúda, Hugo Rodrigues, nesta nova fase é fundamental dizer a verdade. «As crianças precisam de saber o que vai acontecer». O bom senso deve reinar. Não se deve dar a notícia com antecedência, para a criança não sofrer por antecipação. Nem avisar em cima do acontecimento, para não ser um choque.  É importante dar tempo para as crianças se prepararem para o momento que aí vem.


Dinis, de Portimão, entrou para o infantário aos cinco meses e meio​

Começar a falar cerca de duas semanas antes será suficiente, na maior parte dos casos. Para apaziguar os corações, Hugo Rodrigues aconselha uma visita à futura escola na companhia do(s) filho(s). «Para que o primeiro contacto lhes transmita alguma segurança». Acompanhada pelos pais, será mais fácil para a criança ajustar a expectativa à realidade. Esta percepção da realidade só se justificará a partir dos dois anos de idade.

Segundo Lincoln Justo da Silva «nenhuma criança aceita separar-se dos pais em que circunstância for». A não ser que lhes seja explicada de forma simples a razão desse afastamento. A partir daí, ela inicia um processo de adaptação a essa perda temporária de abrigo e protecção. «A ajuda afectuosa dos pais e dos educadores» será fundamental para a nova adaptação ao novo mundo.

Rita Antunes, psicóloga clínica e educacional, sugere várias estratégias para tornar o jardim de infância um lugar, apetecível. Em primeiro lugar, deve privilegiar-se o diálogo. «É importante conversar com a criança e compreender os seus medos, para a tranquilizar». Deve referir-se nesta conversa as vantagens da creche. Até fora do contexto escolar, como festas de anos, visitas de estudo e novas amizades, para criar confiança na criança e vontade de pertencer ao novo lugar.


Nem sempre é fácil deixar Rodrigo, o Bebé Saúda do Fundão, no infantário

A técnica de deixar a criança a conta-gotas dependerá muito da respectiva faixa etária. Se for pequena, não é relevante. Se for mais crescida, poderá criar expectativas falsas de quando é que os pais a vão buscar, por isso Hugo Rodrigues acha melhor que se estabeleça um padrão que se cumpra. «Depois da sesta, ou a seguir ao lanche. Assim a criança consegue programar mentalmente uma rotina», sugere o pediatra.

Na inevitável “hora do adeus” impõem-se despedidas breves e promessas que devem ser cumpridas. Outro aspecto a evitar, sublinha Lincoln Justo da Silva, é a compensação com guloseimas ou brinquedos por bom comportamento. Trocas que a longo prazo provocam problemas comportamentais. Hugo Rodrigues sugere que se diga algo de concreto: «Os pais vão trabalhar, depois do lanche vimos buscar-te. Diverte-te. Gostamos muito de ti».​
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