Rui Pedro sempre foi desportista. Começou a praticar futsal aos seis anos, interrompeu aos sete quando foi diagnosticado com diabetes tipo 1. No regresso, o treinador já tinha recebido formação para atuar, caso entrasse em hipoglicémia e desmaiasse. «Correu tudo muito bem!», diz o jovem, com o otimismo que o define. Quase a fazer 19 anos, Rui continua a praticar futsal, fez natação, experimentou triatlo, frequenta o ginásio e, recentemente, entusiasmou-se pelo ciclismo.
Ser diabético nunca o impediu de fazer desporto, pelo contrário, ajudou-o a aprender a controlar e estabilizar os valores. «O desporto ajuda-me a perceber a 100% a doença», afirma.
Enquanto faz desporto, Rui não usa a bomba de insulina que usa desde os nove anos, por isso o controlo da diabetes tem de ser ainda mais rigoroso. Rui mede os níveis de glicémia antes dos jogos e também nos intervalos. Por regra, administra menos quantidade de insulina do que habitualmente, para reduzir as hipóteses de entrar em hipoglicémia. O seu medo é estragar o jogo. «É um inconveniente para mim e para o jogo todo. Convém estar tudo bem controlado». Rui reconhece que a prática desportiva requer «cuidado», mas garante que não é difícil. «Com o acompanhamento do médico, tudo corre muito bem».
Aprendeu a interpretar os sintomas da subida e descida da glicémia no sangue, o que o ajuda a corrigir a situação, depois de confirmar com a medição dos valores. Mais difícil é gerir a adrenalina, que faz disparar os valores. A única coisa que Rui pode fazer é tentar acalmar-se. «É um trabalho comigo mesmo». Em criança, a emoção dos jogos fazia chegar a adrenalina ao topo, hoje já consegue controlar-se. Os exames são outro desafio. Muitas vezes temeu que a subida dos valores fizesse «o cérebro desligar». Nunca aconteceu: «Correu tudo lindamente!».