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4 agosto 2022
Texto de Sónia Balasteiro Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro

«Criar um personagem é mágico»

​​​​​​​​​​​No elenco da novela “Quero é Viver”, da TVI, fala do seu fascínio pela representação. ​​

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Quando descobriu que queria ser ator?
Comecei no mundo da moda aos 16 anos e, entretanto, surgiu a oportunidade de fazer um casting para os “Morangos com Açúcar”. Foi uma grande escola, a nível técnico, mas não fiquei logo apaixonado pela profissão, porque tínhamos uma carga horária muito grande. Gravávamos de segunda a sábado, das 8h às 20h. Era uma loucura. Quando terminei a série, era muito novo, tinha 17 anos, e fiquei a pensar: «Gostei da experiência, mas será que é isto que quero para a minha vida?». Rapidamente apareceu outro projeto e outro... Depois de duas ou três novelas, percebi que era realmente isto que queria fazer.

O que o levou a participar no casting?
Era um miúdo, e os “Morangos” eram uma febre. Toda a gente queria fazer parte daquilo e eu também.

E a carreira como modelo, de que forma surge?
A minha mãe soube de um casting e disse-me para ir. Morava no Algarve, e num sábado ou domingo de verão pensei que preferia ir para a praia. A minha mãe quase me obrigou a ir ao casting. Participei e ganhei o concurso.

E o que prefere?
De longe, a televisão. A moda já não me diz absolutamente nada.

Porquê?
Apaixonei-me de tal forma por representar, elaborar as personagens, prepará-las, estudá-las... Ocupou um espaço tão grande na minha vida que a moda deixou de fazer sentido. De vez em quando, ainda faço um desfile ou outro, mas, se durante dois ou três anos ambicionei a moda e ir para fora, Milão, Paris, hoje isso já não me cativa.


«A moda já não me diz nada», confessa o ator

Entrar num personagem é entrar na pele de outra pessoa. O que o fascina na representação?​​​​​​​​
O que me fascina mais é todo o processo antes de começar a filmar, dos ensaios, da descoberta, do estudo. Esse processo de criação da personagem é mágico. Que gestos ou tiques posso dar à personagem, como é que a pessoa anda, como fala, como interage com os outros personagens, com a mãe, o pai, os irmãos, os amigos...

Como se prepara para encarnar um personagem? Para o Raúl, da novela “Quero é Viver” [TVI], por exemplo, como foi?
Com este personagem, tivemos uma coisa que raramente temos na Plural: tempo de preparação. Ensaiámos durante dois meses. Normal- mente, temos duas semanas e a personagem é criada já em processo de gravação. Começamos a gravar e só passados três ou quatro meses é que se sente a personagem. Nesta novela, tivemos muitos ensaios com os diretores de atores, fizemos um workshop com o brasileiro Thiago Felix, que nos ajudou a entrar no corpo da personagem, a perceber como anda, como reage. É sempre feito de forma diferente, com muita preparação em casa.

Tem dificuldade em entrar em algum personagem ou em despedir-se?
Em despedir não, porque não sou apegado a nada, mas a fase inicial de uma novela é com- plicada para mim, por muitos ensaios que tenha. Andamos à procura do que vamos fazer, dos relacionamentos. Só passados três ou quatro meses é que começo a sentir a personagem num todo e sinto-me mais à vontade em plateau para brincar e para estar.

Qual o meio que prefere: televisão, teatro, cinema? 
Gosto muito de fazer televisão, novela. Gosto muito do formato. Também já fiz teatro musical, e é uma grande paixão, porque gosto de cantar e de dançar.


Isaac fez um workshop de representação com o brasileiro Thiago Felix, que o ajudou a entrar no corpo do seu personagem na novela "Quero é Viver"

Há algum ator em que se inspire?
Depende das personagens. Admiro muito o Jude Law, acompanho-o desde sempre. Gosto muito da Keira Knightley também. Quando aparece alguma coisa nova com eles, tenho de ir ver.

Tem uma marca, a “ponto no i”. Como está a correr?
Está a correr muitíssimo bem. Eu e a Inês, a minha namorada, que é PT [personal trainer], queríamos ter um negócio em comum. Tentámos juntar desporto com moda, e decidimos criar a nossa marca de roupa. Dá-nos imenso trabalho, porque somos só os dois. Desenhar, ir às marcas... somos nós que fazemos tudo o que há para fazer. Não temos funcionários, até tratamos das encomendas.

Como funciona, dividem as áreas?
Fazemos tudo juntos. Temos programas no tablet, inspiramo-nos... vamos ver coisas, tiramos as nossas ideias, fazemos os nossos gatafunhos. Trabalhamos com uma fábrica do Norte, pequenina, muito caseira, com poucos trabalhadores. Reunimo-nos com os nossos desenhos e eles também nos dão uma ajuda.


Isaac saiu de Moura aos quatro anos, mas Moura não deixou o seu coração: «sinto-me 100% alentejano»

Como foi a sua infância?
Nasci em Moura e fiquei até aos três, quatro anos. Depois, os meus pais divorciaram-se e fui com a minha mãe para Faro. Estive lá até vir para Lisboa, mas sempre a ir de 15 em 15 dias ver o meu pai em Moura. A minha família está toda no Alentejo, em Moura, tirando a minha mãe e alguns tios, que estão no Algarve. Sinto-me 100% alentejano.

O que faz nos tempos livres?
Quando estou a fazer uma novela, não tenho muito tempo. O que sobra é para treinar, por- que tenho uma grande paixão por desporto. E é para passar tempo com os meus cães, a Hypo e o Aquiles. Passear, ir à praia com eles. Temos uns terrenos baldios, vivemos numa zona meio rural. [risos]

Sempre gostou de animais?
Sim, o meu pai sempre teve cães e a minha mãe gatos. Sempre tive uma grande paixão por animais.

O desporto ajuda a manter o equilíbrio?
​Para mim é fundamental. Posso estar em estúdio às oito da manhã, sair às seis e meia da tarde, e tenho de ir fazer o meu treino. Saio do estúdio supercansado, mas, se fizer o treino e tomar banho, estou pronto para gravar mais oito horas. Faz-me bem à cabeça e ao corpo. E acho que é um excelente vício. Há quem tenha vícios piores.

Quais são os planos agora?
Férias.


«Quando estou a fazer novela, não tenho muito tempo. O que sobra é para treinar, tenho uma grande paixão por desporto»

E depois das férias?
Há de vir trabalho, se Deus quiser. Não sei o quê, mas há de vir.

Como vê o futuro?
Desde que tenha saúde e trabalho, o resto vem por acréscimo. Não faço grandes planos a longo prazo. Se as coisas correrem bem, estou feliz. É claro que, enquanto ator, ambiciono fazer umas séries lá fora. Agora, com as plataformas Netflix e HBO, tenho essa ambição. Mas não sou vidrado. As coisas, se tiverem de acontecer, acontecem. Trabalho todos os dias para isso e sinto-me descansado.​
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