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14 setembro 2018
Texto de Carina Machado Texto de Carina Machado Fotografia de Mário Pereira Fotografia de Mário Pereira

Povo previne diabetes

​​​​​Milhares de portugueses ficaram conscientes do risco da doença. 
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Sentada num banquinho, entre prateleiras e uma balança, Irene Trindade aguarda que a chamem ao balcão. Veio levantar a medicação para a tiróide mas não dá o tempo por perdido. Ocupa-o em dois dedos de conversa com uma velha conhecida, a quem passa a sua receita de quiche. «Agora só uso coisinhas saudáveis! Cogumelos, alho francês… Mudei muita coisa na minha alimentação».


Irene Trindade, que cozinha para fora, depois do rastreio tirou muito açúcar às sobremesas

A antiga dama de companhia, de 67 anos, cozinha para fora. Confessa que usa o rolo com que estende as massas para afugentar a solidão imposta pela viuvez, mas sente verdadeiro orgulho profissional no resultado que leva às mesas das senhoras suas clientes. É utente habitual da Farmácia Alva, em Coja, no concelho de Arganil. Contudo, foi a filha, que trabalha num comércio ali perto, quem a alertou para o rastreio. «Vim logo oferecer-me. Felizmente está tudo bem, mas sei que sou descuidada. Verdade seja dita: só por mim não ia à procura da doença». 

No caso da cozinheira, o efeito preventivo do Desafio Gulbenkian “NÃO à Diabetes!”  multiplicou-se por dezenas de clientes. Desde que Irene respondeu na farmácia ao questionário sobre risco de diabetes, as suas receitas tornaram-se mais saudáveis. As tartes de amêndoa e os bolos de laranja e mel foram os primeiros a beneficiar de substanciais cortes no açúcar. Como a maioria dos clientes de Irene também respondeu ao questionário, aquelas mudanças foram bem acolhidas.

Manuel Marques Lopes dá corpo a esta ideia. Tem 45 anos e diz-se cioso da sua saúde. O trabalho num armazém obriga-o a ter alguns cuidados. Sente-se «bem», mas também sabe que «há males silenciosos». Por isso respondeu com interesse ao questionário sobre diabetes. «Graças a Deus, está tudo “OK” comigo», conta satisfeito. 


Manuel Lopes sabe que «há males silenciosos»

O questionário sobre diabetes teve o mérito de pôr a comunidade a falar do assunto. Ao balcão da farmácia, muitas pessoas confessaram excessos e maus hábitos.
Os profissionais da farmácia responderam distribuindo folhetos com informação sobre a diabetes e receitas saudáveis. E redobraram recomendações sobre exercício físico, alimentação e consulta com os médicos de família. «Que outro acompanhamento temos aqui, nestas serranias, onde nos dizem se temos ou não risco deste ou daquele tipo de doença? Só na farmácia», comenta Manuel Lopes.


A farmácia distribuiu folhetos informativos sobre diabetes e receitas saudáveis

«Os utentes notam, de facto, a nossa preocupação para com a sua saúde», congratula-se a directora-técnica, Paula Dinis. A Farmácia Alva é activa na comunidade. Ao longo do ano, faz várias palestras sobre cuidados de saúde e estilos de vida, em escolas e lares. Também organiza caminhadas, iniciativa cada vez mais frequente na rede de farmácias. Manuel já participou em várias. Gosta de andar e de manter-se em forma. Irene ainda tentou mas não pôde completar o exercício. «As minhas pernitas… Tenho umas próteses nas virilhas e uns parafusos… Não consigo!», lamenta.


Paula Dinis entende que as farmácias têm condições únicas para identificar pessoas em risco de doença

Vai procurar ganhos em saúde pela via alimentar. «Sabe do que gostei? Das receitas que a doutora me deu depois do rastreio. O semifrio de iogurte é uma tentação, mas as rabanadas light vão ser um sucesso entre as senhoras no Natal», garante Irene Trindade.​

O programa da Fundação Gulbenkian permitiu às farmácias aconselhar para cima de oito mil pessoas e referenciar mais de metade para o médico. Para a farmacêutica proprietária da Farmácia Alva, os  números reflectem a essência do sector: «Somos a verdadeira porta de entrada no sistema». Paula Dinis considera que não há nenhum outro serviço de saúde com a capacidade das farmácias para identificar pessoas em risco de desenvolver uma doença. «Quase ninguém vai ao médico se não se sente doente.
Mas nós todos os dias recebemos milhares de pessoas, doentes e saudáveis», expõe a farmacêutica.

A rede de farmácias contacta presencialmente com a generalidade da população, tanto em meio rural como urbano. «Em saúde, a forma mais eficiente de chegar à população é através das farmácias», afirma também Marco Almeida, director-técnico da Farmácia Nova, no Olival Basto. O farmacêutico gostaria que iniciativas como esta fossem implementadas de forma sistemática, mediante comunicação integrada entre farmácias e centros de saúde. Na sua farmácia, ninguém recusou responder ao questionário sobre risco de diabetes. «As pessoas percebem a importância desta colaboração entre serviços de saúde. Sentem-se, de facto, no centro do sistema», comenta o farmacêutico.


Marco Almeida, director-técnico da Farmácia Nova, no Olival Basto, valoriza a comunicação com os centros de saúde​​