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15 janeiro 2016
Texto de Gabriela Cardoso Fotografia de Pedro Loureiro e Luís Silva Campos Fotografia de Pedro Loureiro e Luís Silva Campos Texto de Gabriela Cardoso
«Foi o fado que me escolheu»
​​É à natureza que vai buscar o «equilíbrio e a paz de espírito» de que precisa. O segredo para tanta energia? Ioga. E uma paixão desmedida pelo fado.
​Revista Saúda - Tem passado bastante tempo em tournée. Aos seis meses de gravidez, como consegue manter a energia?
Cuca Roseta - Não me sinto nada cansada. No início tive muito sono, mas mesmo assim andei a fazer 40 concertos durante o Verão, ia a dormir no carro. Acordava e estava bem. Acredito que seja porque faço desporto há muitos anos e continuei a fazer.

 
RS - Que desportos pratica? 
CR - Faço taekwondo há 11 anos, tive de parar no início da gravidez por causa do impacto. Mas continuo a fazer ioga todas as manhãs. Para uma grávida, a respiração e o movimento são muito importantes.

 
RS - Também tem cuidado com a alimentação?
CR - Sim, aprendi a alimentar-me. Deixei de beber qualquer tipo de sumos. Só bebo água. Não misturo proteínas com hidratos de carbono, não como muitos doces. O açúcar faz muito mal, não só ao aspecto físico, mas acima de tudo à ansiedade. E evito tudo o que seja excitantes.

 
RS - Estar na natureza é uma necessidade para si. Mantém esse contacto?
CR - Sinto sempre a falta, confesso. Mas vivo num sítio óptimo, em São João do Estoril, e estou a cinco minutos de muitas trilhas e das praias e, por isso, vou durante todo o ano. Preciso muito desse contacto, a energia que recebo da natureza transmite-me equilíbrio e paz de espírito.

 
RS - É adepta de outras terapias? Sim, faço reiki e adoro, saio de lá sempre com um sorriso.
CR - E tenho um médico homeopata e osteopata que me ajuda nos suplementos. Não gosto muito de remédios. Tenho pais médicos, deve ser por isso [risos]. 

 

 

 
RS - Consegue manter o equilíbrio entre as medicinas naturais e a tradicional?
CR - Acabo sempre por pedir conselhos aos meus pais. O Lopo, o meu filho, já partiu a cabeça e foi cozido pelos meus pais em casa, é óptimo. Em relação aos remédios é diferente. A minha mãe, diz-me: «Toma isto, toma aquilo». E eu digo que sim e nunca faço nada do que ela manda.

 
RS - E como vê o papel da farmácia? 
CR - Vou imenso, gosto de ir. Tenho de comprar coisas para o meu filho e, apesar de não tomar Ben-u-ron e Aspirina, dou ao meu filho. Não dou é antibióticos, mas há alguns remédios que, para mim, são básicos. Compro-lhe vitaminas, as nossas pastas de dentes também são da farmácia e são óptimas… Adoro.

 
RS - Canta fado em casa?
CR - O Lopo está sempre a pedir, eu é que não canto. Mesmo assim, acaba por me ouvir. Na sala, temos muitos instrumentos, violas, pandeiretas, harmónicas, pianos, e passo muito tempo ao piano a tocar e a cantar e ele acaba por estar sempre a ouvir-me e por participar. Faço um jogo em que toco as músicas e ele tem de adivinhar quais são. Adora.

 
RS - Na sua infância também havia música?
CR - Sim, a música sempre esteve muito presente na minha família. Todos cantamos muito bem, os cinco irmãos. A minha avó cantava maravilhosamente bem, a minha mãe também. Sempre fizemos teatros e musicais em casa.

 
RS - Entretanto formou-se em Psicologia.
CR - Antes ainda estudei Direito. Escolhi Psicologia e achei que era muito sensível para exercer, fiz uma pós-graduação em Marketing, inscrevi-me em Antropologia… E andava sempre a cantar ao mesmo tempo. Comecei nos Toranja. A minha mãe dizia: «Podes continuar a cantar, desde que tenhas positivas» [risos] E eu andava sempre a estudar nas tournées para ter a certeza de que passava e continuava a cantar, porque era aquilo que eu adorava.

 
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RS - E o fado acabou por vencer… 
CR - O fado nunca me deixou trabalhar em Psicologia. É assim há dez anos e é uma sorte, porque nunca parei de cantar. Costumo dizer que foi o fado que me escolheu e não poderia ser mais feliz a fazer outra coisa. É a minha grande paixão. Como foi participar no Fados, do  Carlos Saura? Mudou tudo. Eu era a única fadista nova a ter um quadro só para mim, ao lado do Chico Buarque, do Caetano, da Mariza, do Camané, da Lura… Eram nomes fortíssimos e tive medo porque só cantava há um ano e queria muito agarrar aquela oportunidade. Toda a gente me dizia: «Tens de cantar isto de uma forma eterna», e eu ficava com medo porque ia ficar para sempre. Acho que consegui cantar de uma forma eterna porque, apesar de haver muita ingenuidade, é uma ingenuidade linda.

 
RS - Como se prepara para os espectáculos?
CR - Tenho um dom, a minha voz, que me foi dado de graça. E quando nascemos com um dom, somos instrumentos. Antes de entrar em palco, respiro, fico sozinha uns minutos e peço para ser um bom instrumento. Acima de tudo, de amor.

 
RS - Também escreve letras.
​CR - É uma necessidade de sempre? Desde muito pequena que escrevo. Gostava muito de observar e de escrever sobre os sentimentos e sobre as pessoas. Já escrevi muitos livros, uns sobre as estrelas e o Sol, outros sobre o amor. Vão crescendo com a idade. Continuo a escrever todos os dias sobre o que vivi. Depois passei a fazer isso através da poesia. E poder cantá-la… é gratificante.
 
RS - É diferente de cantar letras de outros autores?
CR - É mais gratificante cantar as minhas próprias letras no fado, uma música que exige que vás ao encontro da tua verdade e da tua experiência de vida, do que cantar um poema da Florbela Espanca, a minha poetisa preferida. Consigo passar essa verdade de que o fado precisa.

 
RS - Já está a pensar no próximo disco?
CR - Vai ter a ver com a luz e com o fogo. Acho que os elementos da natureza vão existir sempre. Acredito que o fado tem exactamente a mesma beleza que a natureza: é incrivelmente  bonito quando é puro, sem máscaras.
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