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9 junho 2016
  Saúde
Texto de Rita Leça Texto de Rita Leça
Diabetes: andamos atrás de ti

​​​​Fundação Calouste Gulbenkian tem um projecto para reduzir a dimensão da doença em cinco anos.

​Cerca de um milhão de portugueses tem diabetes, mas 44 por cento desconhece que é portador da doença. Os custos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) representam já 1% do Produto Interno Bruto (PIB) – e a tendência é para aumentar. «A despesa pública em Saúde irá sempre subir. É uma inevitabilidade que está relacionada, por um lado, com o investimento em inovação farmacológica e, por outro, com gastos que todos temos a responsabilidade de tentar suster», declarou Jorge Soares, director do Programa Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian.

O Gulbenkian Inovar em Saúde é um plano para os próximos cinco anos, que reúne Ministério da Saúde, Associação Portuguesa de Municípios, Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, Sociedade Portuguesa de Diabetologia, a indústria farmacêutica – Merck Sharp & Dohme, Fundação AstraZeneca e Novartis – e a ANF. «O objectivo é evitar que 50 mil indivíduos com hiperglicemia  intermédia avancem para diabetes, através de um programa de educação para a saúde, mudando somente hábitos e estilos de vida», expôs  este  médico  e  professor  universitário.  O segundo objectivo é identificar as pessoas que desconhecem que têm a doença, «para que entrem mais cedo no sistema de saúde e, assim, consigam evitar as complicações inerentes à diabetes».
 

Actualmente, cada diabético tem um custo de 1.800 euros por ano, segundo o Observatório Nacional da Diabetes. A doença consome 10% da despesa total em Saúde. Espera-se que este plano, intitulado “Desafio Não à Diabetes”, traga poupanças anuais no valor de 45 milhões de euros, ao fim de cinco anos. Caso continue depois dessa data, calcula-se que venha a poupar 18 milhões adicionais por ano, de forma cumulativa. Os dados constam do relatório “Um futuro para a Saúde, todos temos um papel  a desempenhar”, coordenado por Nigel Crisp para a Fundação Gulbenkian.

«A metodologia que vamos utilizar é muito simples: rastreio, confirmação, educação no caso dos pré-diabéticos e acompanhamento no caso dos diabéticos», enumerou Jorge Soares. O principal desafio deste projecto é «convencer as pessoas que não estão doentes, mas quase, a aderirem a um programa educativo de mudança de hábitos». Os indivíduos identificados no rastreio como potencialmente diabéticos ou pré-diabéticos serão encaminhados para os centros de saúde. As equipas dos cuidados primários desenvolverão para eles programas para a adopção de estilos de vida saudáveis. «Queremos identificar 400 mil pessoas com risco acrescido e obter uma taxa de adesão significativa. Esperamos que 240 mil adiram ao programa educativo. Estas são, pelo menos, as nossas expectativas».

Os municípios terão «um papel fundamental, para reforçar os cuidados junto da comunidade, seja através da disponibilização de espaços para a actividade física, indoor e outdoor, seja pela capacidade de comunicar de uma forma mais directa com as pessoas», sublinhou Jorge Soares. O plano arranca este ano. Para já, 15 municípios estão prontos, mas a meta é chegar às 160 autarquias espalhadas pelo país.

O orador expressou reconhecimento pela adesão das farmácias e grande expectativa quanto ao respectivo contributo no futuro. «Esperamos muitos rastreios, muitos questionários preenchidos, tanto em suporte digital como em papel», enfatizou o director da Fundação Gulbenkian. No entanto, chamou a atenção para a urgência de os SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde resolverem a questão do fluxo de informação e da protecção de da​dos. «Um doente que a farmácia sinalize tem de ter um registo no ACES onde se acenda, automaticamente, uma bandeira vermelha para ser chamado. Se ficamos à espera que o doente saia da farmácia e tome a iniciativa, acho que mais de metade entrará na próxima pastelaria para comer uma bola de berlim com creme», alertou Jorge Soares.
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