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17 dezembro 2016
  Crianças
Texto de Hugo Rodrigues (pediatra) Fotografia de João Pedro MarnotoTexto Fotografia de João Pedro MarnotoTexto Texto de Hugo Rodrigues (pediatra)
Colo precioso
​​​Os pais educam, os avós estragam?
Perceber o verdadeiro papel dos avós na educação dos netos é o desafio que proponho.

Assim, vou tentar sistematizar aquelas que considero serem as principais vantagens desta relação:

1. Segurança – Geralmente os avós são mais calmos e têm mais tempo (e, inclusivamente, paciência) para as crianças, o que transmite a estas uma sensação de segurança e bem-estar.

2. Estimulação de aptidões – A maior parte dos avós prefere brincadeiras menos tecnológicas, o que ajuda as crianças a explorar formas diferentes de brincar e a desenvolver capacidades que, de outra forma, não seriam tão estimuladas.

3. Ajuste de comportamentos – É mais ou menos consensual que os avós são geralmente mais permissivos do que os pais, mas isso não tem necessariamente que ser algo negativo. Pelo contrário, pode até ter algumas vantagens no desenvolvimento das crianças, desde que não haja grandes rupturas com a educação dada pelos pais. Isto porque essa diferença vai ensinar à criança que se deve comportar de forma diferente consoante o contexto em que está inserida e as pessoas com quem lida, permitindo-lhe adequar muito melhor o seu comportamento às diferentes situações do dia-a-dia.

4. Conhecimento de tradições – Todas as famílias têm histórias que se vão acumulando e são as pessoas mais velhas quem melhor se pode lembrar delas e transmiti-las às gerações seguintes. Deste modo, cabe aos avós esse papel de passar a “herança” familiar e cultural aos netos, de forma a que esses conhecimentos não fiquem perdidos no tempo.

Os netos precisam dos avós e os avós precisam dos netos. Só assim se torna possível tirar o melhor proveito de uma relação natural que é claramente benéfica para todas as partes. 

CONSULTÓRIO

A partir de que idade é que posso começar a deixar o meu filho na casa dos avós para poder sair um pouco?

Não existe propriamente regra, mas é importante ter alguns aspectos em consideração.

O primeiro tem a ver com a necessidade de segurança que todas as crianças têm. Isso traduz-se, obviamente, no seu desenvolvimento e há alguns marcos que podem influenciar a decisão de os deixar ficar ou não, tais como:

nos primeiros meses pode ser difícil, principalmente se a mãe estiver a amamentar

os bebés começam a estranhar a partir dos 5-6 meses – até essa altura não estranham e, portanto, é mais fácil ficarem com pessoas que não sejam os pais

a ansiedade de separação (dificuldade em separar-se dos pais) torna-se mais evidente a partir dos 18 meses e pode dificultar um pouco este tipo de situação

até aos 2 anos, as crianças precisam de contacto físico para se sentirem seguras – como não falam até essa idade, não conseguem verbalizar bem o que sentem e acabam por precisar mais desse contacto físico

Assim, provavelmente a partir dos 4 meses, pode ser uma opção deixar de vez em quando os filhos com os avós, embora – volto a dizer – é uma questão muito pessoal.No início pode ser por pouco tempo (um almoço, por exemplo) e depois vai-se aumentando progressivamente (um jantar, uma ida ao cinema, uma noite, …).

De qualquer forma, importa também reforçar a ideia de que, apesar da enorme importância que os avós têm na vida dos netos, de um modo geral devem ser os pais a ficar responsáveis pela educação e pelo acompanhamento dos filhos, salvo algumas excepções.

Ponha a sua questão ao pediatra: Tem dúvidas? receios? angústias? O Dr. Hugo Rodrigues responde. 
Escreva para pediatria@sauda.pt.
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