Política de utilização de Cookies em Revista Saúda Este website utiliza cookies que asseguram funcionalidades para uma melhor navegação.
Ao continuar a navegar, está a concordar com a utilização de cookies e com os novos termos e condições de privacidade.
Aceitar
20 setembro 2016
Texto de Hugo Rodrigues (pediatra) Texto de Hugo Rodrigues (pediatra) Fotografia de João Pedro Marnoto Fotografia de João Pedro Marnoto

Tempos livres felizes

​​​​O regresso às aulas é um momento desafiante. ​​​​Saiba como ajudar os seus filhos a viver bem o período escolar.​

As crianças precisam mesmo de ter tempos livres, ou seja, alturas do dia em que não têm nada para fazer, e esse é o primeiro ponto a reforçar. Este aspecto é fundamental, porque lhes permite regular as emoções e agir de acordo com as preferências e vontades.

O segundo prende-se com a escolha das actividades extracurriculares. É importantíssimo que as crianças sejam envolvidas nessa escolha e que, sempre que possível, se tenha em atenção os seus interesses. Depois, é preciso que os pais percebam que a opção pelas diferentes actividades deve apenas ter como objectivo o bem-estar dos filhos no presente e não preocupações desadequadas com o seu futuro.
 
Ouvir pais de crianças de três anos dizer que querem que os filhos aprendam já inglês porque quando forem  adultos vão precisar, ou então que vão inscrevê-los no futebol porque se começarem cedo podem vir a ser jogadores de sucesso, é bastante frequente, mas não é a maior vantagem deste tipo de actividades.

O terceiro aspecto relaciona-se com o prazer que as crianças têm com as ocupações escolhidas. Estas nunca podem ser encaradas pelas crianças como uma “obrigação”, porque se isso acontecer perdem o efeito pretendido. Numa altura em que as cargas lectivas são cada vez maiores, obrigar as crianças a fazer algo de que não gostam depois de estarem na escola durante sete a oito horas seguidas (por vezes mais!) é uma tortura que não traz benefícios a ninguém. Se essas actividades tiverem uma componente mais “física”, em que as crianças possam também “gastar” algumas das energias, é uma boa opção, pois permite-lhes extravasar um pouco das rotinas do dia-a-dia. Explorar áreas diferentes, como a arte, a expressão plástica, a música ou a expressão dramática, pode também ser interessante e ajudá-las a conhecerem-se um pouco melhor.

Por fim, e não menos importante, as actividades extracurriculares nunca devem prejudicar a dinâmica familiar, nem ser uma fonte de stress para os pais. Podem, e devem, ajudar os pais a ocupar os filhos enquanto ainda estão a trabalhar, mas não devem retirar tempo à família. 


CONSULTÓRIO

O meu filho tem seis anos e muita dificuldade em seleccionar as actividades extracurriculares, porque quer inscrever-se em tudo. Como posso ajudá-lo?
O melhor conselho é mesmo conversar com ele e tentar estipular uma ordem de preferência. Como já é “grandinho”, vai conseguir estabelecer prioridades e, depois de fazer isso, vai ser mais fácil a escolha.

Outro aspecto importante é perceberse há alguma incompatibilidade de horários ou até em termos económicos, porque se isso acontecer pode eliminar algumas opções  à partida.

Por fim, têm de ser os pais a colocar alguns limites, nomeadamente em termos de ocupação de tempos que sejam para usufruir em família. Deve haver sempre alturas reservadas a actividades em família, pelo que actividades que colidam com esses momentos devem ser evitadas.

Gostava muito de inscrever a minha filha no ballet, mas ela não quer. O que posso fazer?
Por vezes as crianças rejeitam opções sem as conhecer bem e até sem ter grande motivo para isso e, nesses casos, é preciso tentar negociar com elas, bem mais do que impor vontades. Em relação a esta questão, começaria por tentar perceber porque é que ela não quer ir para o ballet, porque pode haver algum motivo “escondido” que esteja e perturbá-la (o facto de ser mais gordinha, por exemplo).

Depois, tentaria explicar-lhe a vantagem de fazer essa actividade, nomeadamente por ser divertido e poder estar com outras crianças. O grande trunfo é mesmo tentar convencê-la a experimentar, porque a probabilidade de gostar é alta e, a partir daí, o problema fica resolvido.

O último conselho é tentar ver se alguma amiga dela também faz a mesma actividade, porque será muito mais fácil experimentar se tiver alguma amiga. As crianças têm naturalmente medo do desconhecido e sentirem que não estão sozinhas é uma ajuda enorme para ultrapassar obstáculos. ​


Ponha a sua questão ao pediatra: Tem dúvidas? receios? angústias? O Dr. Hugo Rodrigues responde. 
Escreva para pediatria@sauda.pt​.​
Notícias relacionadas