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21 novembro 2016
Texto de Hugo Rodrigues (pediatra) Texto de Hugo Rodrigues (pediatra) Fotografia de João Pedro Marnoto Fotografia de João Pedro Marnoto

Natal em duas casas

​Pais separados podem manter as crianças felizes.​​​

O Natal é tradicionalmente a festa da família, pelo que é a altura do ano em que as crianças mais sentem a separação dos pais. A magia do Natal deve estar sempre presente e os pais devem fazer um esforço redobrado para que seja mesmo assim.

Essa tarefa nem sempre é fácil, mas foi precisamente a pensar nisso que decidi estruturar alguns pontos de reflexão, que explico a seguir:

1. Evite compensar
É praticamente inevitável que numa separação exista a tendência para cada um dos pais tentar compensar a ausência oferecendo presentes a mais. No Natal essa realidade é ainda mais evidente e pensamentos do género «só espero que o meu presente seja o que ele vai gostar mais» surgem de forma quase permanente. É importante tentar contrariar a tendência, pois o Natal e as necessidades das crianças estão muito além de qualquer bem material.

2. Evite comentários negativos 
Salvo algumas excepções, sempre que há uma separação há marcas que perduram e é frequente o pai ou a mãe fazerem comentários pouco adequados um sobre o outro em frente aos filhos. Em qualquer altura, essa é uma prática errada e evitável, mas no Natal tem mesmo que se fazer um esforço para que isso não aconteça, de modo a evitar destruir o espírito natalício de união e felicidade a que as crianças têm direito.

3. Estimule o contacto do seu filhou com o outro progenitor 
Não é fácil, mas no Natal deve-se mesmo tentar que as crianças tenham contacto com todos os elementos da família. Acredite que isso só vai fortalecer a relação com o seu filho/a!

4. Fique sempre feliz com a felicidade do seu filho
Os momentos de felicidade que o seu filho tem com o outro progenitor devem alegrá-lo(a) genuinamente. Este é, talvez, o aspecto mais difícil de cumprir, mas é capaz de ser o mais importante. Todos os filhos conhecem muito bem os pais e aquilo que mais desejam é fazê-los felizes. No entanto, se perceberem que a felicidade deles "esbarra" na dos pais, isso deixa-os perturbados e sem saber muito bem o que fazer. Pode parecer demagogia, mas aqui tem mesmo que utilizar o conceito que diz «Se tu estás feliz, eu também estou feliz!». Só assim todos aproveitam da melhor maneira... 


CONSULTÓRIO

O meu filho está sempre a pedir tudo o que vê. Será errado dar-lhe tudo o que pede?
Sim, é errado!
Hoje em dia a publicidade é extremamente agressiva e, com mais de um mês de antecedência do Natal, praticamente não se vê mais nada na televisão para além de publicidade a brinquedos e afins. Obviamente que isto cria uma vontade imensa nas crianças de ter tudo o que vêem. Não se pode esperar que crianças pequenas consigam gerir bem esta "guerra" entre razão e coração. Claro que os pais podem tentar modular um pouco esses pedidos (e devem fazê-lo), mas acaba por ser uma batalha desigual. 

Em relação ao receber tudo o que pedem, é mais difícil de lidar porque há muito mais condicionantes.
 
Primeiro, temos a questão económica, que tem que ser bem gerida pelos pais.

Não é um problema fácil de resolver, porque muitas vezes os próprios pais gostariam de dar mais do que podem efectivamente.

Depois temos a questão pedagógica de ensinar que não se pode ter tudo o que se quer. Quando ainda há a tradição do Pai Natal, tem que se tentar dar a volta à situação e explicar que cada menino só deve receber um presente, mas quando as crianças já sabem que são os pais, acaba por ser mais fácil de explicar.

Por fim, é preciso saber gerir a diferença entre as crianças nas escolas, que vai existir toda a vida. Obviamente que há famílias com mais posses do que outras, mas isso é outra questão.


A partir de que idade é que se deve explicar às crianças que o Pai Natal não existe?

O Pai Natal é uma figura simpática, mas que, realmente, tem uma vertente "bipolar". Se, por um lado, simboliza a magia do Natal e a felicidade das crianças, por outro, é uma imagem do consumismo desenfreado. Apesar de tudo, acho que a força da primeira acaba por se sobrepor ao lado negativo da segunda...
 
É bom que as crianças sintam que há algo de mágico e que lhes foge ao controlo.

A descoberta da verdade pode ser um choque para algumas crianças mas, se as coisas correrem  naturalmente, a própria maturidade delas ajuda a lidar bem com a situação.

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Ponha a sua questão ao pediatra: Tem dúvidas? receios? angústias? O Dr. Hugo Rodrigues responde. 
Escreva para pediatria@sauda.pt​.
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