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30 julho 2017
Texto de Sónia Balasteiro Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro

Poupança

​​​​​​​​​​Aqui, há uma regra de ouro: informar o utente sobre todas as opções disponíveis com o mesmo valor terapêutico.

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Farmácia da ria - Olhão​

António José dos Santos é um homem grande, com rugas sulcadas na tez morena pela vida dura de emigrante. Entra na Farmácia da Ria, em Olhão, leve e bem-disposto, de receita na mão. Vem directamente da consulta com o médico de família, no centro de saúde. As doenças nunca lhe retiraram a força, nem a alegria de viver. Aos 74 anos, é um homem activo, habituado a usar o corpo todo para dar ênfase às palavras. «Ainda hoje fui ao médico e já estou aqui outra vez!». Vem quase todas as semanas à farmácia buscar os medicamentos indispensáveis ao controlo da sua diabetes, mas também aos problemas de saúde frequentes da mulher. «Há uns dias, ela queixou-se dos braços, sentia muito frio», conta António, exibindo a correspondente prescrição médica.

Ambos precisam permanentemente de medicamentos. As reformas baixas obrigam a medir muito bem cada despesa. De há uns anos para cá, sempre que possível, o casal Santos passou a tomar medicamentos genéricos. «Peço sempre genéricos, porque a minha situação não dá para mais. São mais baratos e têm o mesmo efeito», justifica António José. O médico de família passa-lhes sempre as receitas por princípio activo. A confiança na equipa da Farmácia da Ria faz o resto. «Aqui dão-me sempre as informações completas», expõe o doente.

A informação ao utente sobre todas as opções disponíveis com o mesmo valor terapêutico é uma regra de ouro na Farmácia da Ria. «O farmacêutico tem o papel de explicar, para a pessoa poder tomar a sua decisão com conhecimento de causa. Se houver dúvidas quanto à eficácia do genérico, António José dos Santos veio directamente do médico. Os genéricos permitem-lhe levar todos os medicamentos de que precisa nós esclarecemos», afirma o director-técnico, Nuno Segundo. Garantido esse esclarecimento, «é sempre o utente a escolher o que quer levar para casa». A maioria prefere os genéricos, por serem mais baratos. «Não há ninguém que goste de gastar dinheiro desnecessariamente», enfatiza o farmacêutico.

O Algarve, com muitos clientes estrangeiros, sazonais e de passagem, é a região com menor índice de genéricos. No entanto, a Farmácia da Ria consegue contrariar essa tendência. Em volume de unidades dispensadas, já está a conseguir atingir o objectivo nacional: mais de 50 por cento de quota de genéricos. Esta meta é muito difícil, porque muitos medicamentos de grande consumo têm a patente protegida. Os fármacos originais sempre foram e continuam a ser indispensáveis à saúde da população. Não é possível, nem desejável, entregar aos medicamentos genéricos o monopólio dos tratamentos. Em termos nacionais, no universo dos medicamentos comparticipados, a quota de medicamentos genéricos está em 47,8 por cento. Mas, se fizermos as contas às substâncias activas com genéricos disponíveis no mercado, a quota já vai em 70 por cento.

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António José dos Santos veio directamente do médico. Os genéricos permitem-lhe levar todos os medicamentos de que precisa.​​​

Nos medicamentos sem patente protegida, sete em cada dez cápsulas e comprimidos consumidos pelos portugueses já são genéricos. O que explica os outros três que faltam para se atingir o pleno aproveitamento deste mercado? São múltiplas as razões dos doentes. A Farmácia da Ria, instalada desde há cinco anos no Algarve Outlet, é um bom lugar para se investigar o assunto. Tem estacionamento e horário alargado. O entra e sai é constante, aqui vem toda a gente. Vamos ouvir três mulheres jovens, com opiniões muito diferentes.

«Não tomo genéricos». Assim se apresenta Alexandra Martins, de barriguinha já saliente duma gravidez de gémeos. Sofre de um problema de tiróide e tem «confiança absoluta» nos profissionais da Farmácia da Ria, de que é cliente desde a inauguração, mas na hora de decidir não vacila quanto à preferência por fármacos originais. Também vem buscar medicação para o pai, que tem Alzheimer. Também para ele opta pelos de marca. «A diferença de preço é pequena», considera a utente.

Maria do Carmo Madeira, de 43 anos, acaba de tirar senha. Vive e trabalha perto, como empregada de balcão, por isso esta é a sua farmácia de referência. Vem pelo menos uma vez por mês, buscar medicamentos para a doença de Crohn. Sempre que possível, prefere os genéricos, sem qualquer hesitação. «São iguais, mas mais baratos», resume a simpática utente, de rabo-de-cavalo e sorriso sempre aberto. Mas, curiosamente, tem preferência por determinados laboratórios. «Só levo de outros quando não há os genéricos a que estou habituada», refere. 

O horário alargado e a «qualidade do atendimento» tornaram Teresa Machado, de 40 anos, cliente habitual da Farmácia da Ria. Toma medicamentos genéricos desde sempre. «Se estão no mercado é porque cumpriram nos testes necessários», comenta, convicta. O farmacêutico Nuno Segundo acrescenta à conversa outro argumento de facto: «quando vamos a um hospital, somos tratados com genéricos. E as pessoas saem de lá curadas».

Sem embargo dos argumentos técnicos, é preciso compreender as motivações de cada um. Há doentes, sobretudo entre os idosos, que «preferem manter a cor do comprimido e a mesma embalagem, do laboratório a que estão habituados, que já lhes garantiu resultados», relata o director-técnico. A confiança crescente dos médicos tem vindo a encorajar cada vez mais doentes a beneficiar dos genéricos. «Com o passar do tempo, as pessoas vão vendo que o genérico funciona, porque as patologias estão controladas».

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