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19 novembro 2016
Texto de Sónia Balasteiro Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro

A minha raça é coragem

​​​​​​​​A pastora alemã Kim respondeu a uma doença grave com vontade de viver. Poucos humanos poderiam compreendê-la tão bem como José Carlos.

​Chama-se Kim e é a melhor amiga de José Carlos Pereira que, aos 17 anos, perdeu parcialmente a mobilidade nos braços e nas pernas, na sequência de um mergulho no Rio Lima. «A Kim é a minha companheira de todos os tempos. É quem me vê sorrir, quem me vê chorar… E é ainda mais batalhadora que eu. Às vezes, acobardo-me, ela não», descreve o dono, orgulhoso. A cumplicidade entre ambos é evidente. 

Mas os elogios de José Carlos à sua pastora alemã vão além dessa relação única que só os melhores amigos conhecem – e do que um primeiro olhar deixa adivinhar. São, antes, dirigidos à história de coragem de Kim, que conta já quatro anos de vida. 

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​Aos oito meses, foi-lhe diagnosticada uma displasia nas ancas traseiras. As hipóteses de recuperar eram tão escassas que o veterinário aconselhou José Carlos a abatê-la. Ele, porém, preferiu acreditar nas ‘escassas’ hipóteses da sua melhor amiga: «A Kim foi submetida a uma cirurgia muito difícil», conta. Tão difícil que a cadela sobreviveu mas teve de ficar internada dois meses para recuperar. E, como o dono anos antes, também a pastora alemã teve de fazer reabilitação durante vários meses, no seu caso, em Torres Vedras. 

Hoje, três anos volvidos, quem olha para Kim, à porta de casa, em Ponte de Lima, a baixar a cabeça em busca dos carinhos de José Carlos, não imagina a sua história de coragem – a de ambos. Todos os dias, após o trabalho, os dois passeiam junto ao Rio Lima, ali perto, onde Kim «adora tomar banho».

As caminhadas são tranquilas, José Carlos na sua cadeira, a pastora alemã sempre a seu lado. «Ela tem uma sensibilidade extraordinária! Se desço um passeio, pára, deixa-me descer, e depois é que avança. Nunca lhe ensinei isso», conta o dono.

O valor de Kim? O de uma verdadeira amiga: «Está sempre a empurrar-me para a frente, a dizer-me ‘não desistas’. Quando estou triste, pousa a cabeça na minha perna e olha para mim… Quando estou feliz, só faz asneiras. Está sempre ao meu lado!»
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