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11 outubro 2017
Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro

A meio da ponte

​​​​Paulo Cleto Duarte tem esperança num futuro melhor para as farmácias.

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Os períodos eleitorais são momentos de reflexão sobre o País. A nós, enquanto parceiro social, cabe-nos reflectir sobre o sector que representamos. É o que faremos em seguida. 

Decorreu uma década desde o início da crise do sector das farmácias. Uma crise que as tem mantido permanentemente no fio da navalha, entre o espectro do desaparecimento e a esperança no futuro. As insolvências e penhoras abrangem em todo o território um número muito significativo de farmácias. A crise já fez muitas vítimas e a maioria esmagadora das que sobrevivem não estão ainda imunes ao mesmo destino.

É forçoso reconhecer que já não estamos na situação depressiva que vivemos durante o período da Troika. Mas este ajustamento deve-se fundamentalmente ao esforço de reestruturação empreendido pelas próprias farmácias. Do lado do Estado, a vontade de resgatar o sector tem sido pouco determinada, pouco consistente, por vezes errática e muitas vezes ausente.

Pela nossa parte, compreendendo a situação do País, fizemos um esforço assinalável para encontrar novos caminhos que conjugassem os legítimos interesses dos doentes, do Estado e da rede de farmácias. Comprometemo-nos com esse caminho e assinámos com os ministros da Saúde e das Finanças um acordo para o pôr em prática.​

Acessibilidade, despesa pública, margens, mercado de genéricos, serviços farmacêuticos, terapêutica anti-retrovírica, descontos, são, entre outros, temas importantes desse acordo. Queremos cumpri-lo e fizemos o trabalho que nos competia. Mas o nosso empenhamento e o nosso trabalho não bastam.

É necessária a mesma determinação e o mesmo trabalho por parte do Ministério da Saúde. Mas o tempo passa e as medidas acordadas tardam em concretizar-se.

​Continuamos a acreditar na boa-fé dos nossos interlocutor e na sua vontade de percorrerem o caminho comum que acordaram connosco. É necessário passar da teoria à prática, das palavras aos actos. É urgente implementar o acordo sobre margens. É urgente implementar o acordo sobre serviços farmacêuticos, e de promoção da saúde e de bem-estar. É urgente concretizar o acordo de dispensa de medicamentos anti-retrovíricos nas farmácias. É urgente implementar o acordo sobre descontos nos medicamentos. A crise do sector das farmácias já dura há dez anos. É tempo de lhe pôr termo.

Os Países não se desenvolvem com sectores em crise. Só se desenvolvem com sectores sustentáveis, com capacidade de investimento e criação de emprego. Em política não se pode agradar em tudo a todos. É preciso fazer escolhas. O período eleitoral autárquico é uma "ponte" que estamos a atravessar, pouco propícia a essas escolhas.

Concluída a travessia, acredito que vamos todos pensar de novo no País real, antes que surja nova “ponte”, mais longa e mais difícil de atravessar. É este pensamento que nos anima e nos dá esperança num futuro próximo melhor para as farmácias portuguesas.​​