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7 junho 2019
Texto de Maria João Veloso Texto de Maria João Veloso Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro

«Tiro um momento por dia para me amar»

​​​​​​Em miúda sonhava fazer novelas da Globo, sonho que se cumpriu.

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​REVISTA SAÚDA: Tem vivido entre Lisboa e o Rio de Janeiro. O que lhe apetece fazer assim que regressa?
MARIA JOÃO BASTOS: Gosto de jantar com a minha mãe. Tenho muitas saudades dela e dos seus petiscos maravilhosos. Quando fui para o Brasil, os domingos eram difíceis. Na época, a comunicação não era fácil. Hoje chego a casa, ligo à minha mãe no iPad e em simultâneo faço o jantar. As distâncias encurtaram-se, mas não há contacto físico. Quando chego a Portugal gosto de a abraçar. Adoro o colo da minha mãe.

Há um ano lançou o livro "Life Style". Como se lembrou de o ligar as divas do cinema?
Todas as divas que figuram no livro me inspiraram e foi por isso que lhes dediquei um capítulo. Sou fascinada pelo universo feminino. Somos uma família de mulheres. A minha mãe, as minhas irmãs e as minhas tias.

Há uma receita para não deixar um mau momento intervir na vida profissional?
A convicção do que estamos a fazer é importante. Nós, actores, divertimos, educamos e contamos histórias. Abordamos assuntos que precisam de ter antena. A responsabilidade tem de ser superior a um mau momento que estejamos a viver. Por outro lado, é óptimo como escape a momentos mais negativos. Chegar ali e entregarmo-nos a outra personagem acaba por nos ajudar.



Já usou alguma personagem para fazer catarse pessoal? 
Isso é um dos métodos que estudamos. No método "Stanislavski", que aprendi em Nova Iorque no The Lee Strasberg Theatre & Film Institute, vamos buscar as memórias afectivas. Às vezes histórias nossas. Há outros métodos, mas a nossa vida é a referência. As escolhas que fazemos partem da experiência, ou daquilo que vemos à volta. Não temos tempo de errar tudo numa vida, por isso também é bom aprender com os erros ou com as coisas boas dos outros. Sou uma pessoa muito observadora. Por isso gosto de viajar, ganhar mundo para ter diferentes opções na hora de escolher.

Ainda sente um frio na barriga quando entra em cena?
Sempre que começo uma personagem nova ligo à minha mãe e digo-lhe: «Não vou conseguir, isto é muito difícil». E ela responde-me: «És sempre a mesma coisa filha, tenho a certeza que vais conseguir, tu consegues sempre».


Quando encarnou a personagem Liliane Marise em "Destinos Cruzados", Portugal vivia uma crise profunda. As pessoas diziam-lhe na rua: «É a única coisa que anima o meu dia»​

Continua a achar que os actores têm uma função social?
Há personagens com um carácter de entretenimento muito válido. Quando fiz de Liliane Marise (cantora popular da novela “Destinos Cruzados”), atravessávamos uma crise económica e as pessoas estavam deprimidas. A frase que mais ouvia era: «A única coisa que anima o meu dia é a Liliane Marise». É extraordinário chegar desta forma às pessoas. Depois, há um trabalho como a série “3 Mulheres”, que conta a história recente do país, desconhecida para muita gente. Não estou a falar da geração que a viveu, mas das mais novas.

Em “Coração d’Ouro” interpretava uma vítima de violência doméstica. O que sentiu ao dar a cara a tantas mulheres sem voz?
Tive consciência do medo das mulheres em falar. Nas campanhas é pedido que falem, mas o apoio dado depois é muito pouco. Elas denunciam e acabam por não ter suporte. São vítimas, até da tentativa de mudar as coisas. E silenciam. Esse silêncio é um grande perigo. Com várias mulheres que falei, essa era a grande questão. Devemos pedir para falarem, mas é preciso haver uma estrutura para as ajudar depois.

Sei que gosta de cozinhar, que prato faria para celebrar o Verão?
As saladas são a minha especialidade. Associo o Verão a saladas gregas, é um prato fresco.

Na novela “O Clone” realizou um sonho que tinha com o seu pai. Quer contar essa história?
Quando era miúda dava uma novela brasileira ao meio-dia. Eu via sempre com o meu pai. Dizia-lhe muitas vezes: «Um dia vou estar ali». E ele respondia: «Só não estarás se não quiseres». Uns anos mais tarde, estava com uma amiga, e recebi uma chamada da Globo a convidar-me para a novela da Glória Perez. Achei que eram amigos a brincar. Entrei na brincadeira. Respondi: «Não sei se estou interessada, vou pensar». Desliguei o telefone e disse à minha amiga: «Não sei quem é, mas é um amigo a brincar». «Já pensaste se é verdade?», disse-me ela. No dia seguinte a pessoa ligou novamente. Percebi que era a sério e nem queria acreditar. Foi a realização de um sonho e uma experiência espectacular.

O que tem aprendido com os brasileiros?
A saborear a vida e o presente. Eles têm uma enorme liberdade de viver a vida e de ser felizes. Podem estar preocupados com a situação política, mas estão mais focados na sua felicidade. E promovem-na através da alegria diária de partilhar, de sair, de ir à praia e do samba. É uma constante diária. Falam dos problemas, mas falam a sambar.

O que gosta mais de fazer nos intervalos dos projectos?
Gosto de viajar. Gosto, sobretudo, de passar um mês neste ou naquele país a absorver a cultura local. Gosto de ter o meu café, aquela mercearia, ir ao pão. Aproveito também para fazer workshops, estudar técnicas e métodos de representação. Temos de nos reciclar. Isso tanto pode passar por uma viagem para absorver o mundo, como por outro género de viagem para aprender um método novo.


«Gosto de cuidar de mim. Desde o tratamento do rosto à alimentação e ao exercício físico»

Tem cuidados especiais consigo?
Gosto de cuidar de mim. Há aquela hora do dia em que sinto que estou a cuidar de mim. Desde o tratamento do rosto, a cuidados com a alimentação e exercício físico. Na perspectiva de que estou a amar-me. Acho que ter esse momento diário, seja de que forma for, é importante.

Faz exercício físico?
Faço pilates e Ioga. Gosto de treinar com um amigo, mas vou variando. Não gosto de rotinas na minha vida. Por isso, vou alternando as modalidades. Para me manter interessada.

Qual a sua relação com a farmácia?
Tenho uma farmácia ao lado de casa e adoro lá ir. A nossa relação com as farmácias deve ser de confiança. Recorro a elas para pedir apoio e conselhos. Tenho essa relação com a minha farmácia há muitos anos e confio nelas plenamente. Quando lá vou coloco as minhas questões e ajudam-me. E dá sempre certo.

Onde podemos vê-la?
O meu novo projecto é a segunda temporada da série “Mecanismo”, uma série sobre um esquema de corrupção no Brasil. Pode ser visto no canal Netflix.

Que tipo de personagem e o seu?
É uma mulher forte, que vai ter um percurso surpreendente no desenrolar da trama e vai passar por momentos difíceis. Para detalhes, convido todos a verem a série.

 

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