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19 maio 2016
  Roteiro
Texto de Maria Jorge Costa Fotografia de Céu Guarda Fotografia de Céu Guarda Texto de Maria Jorge Costa
Sesimbra é peixe

​​​​​​​Um mar da cor do caribe, com uma flora de encantar e o melhor peixe do mundo. A região tem algumas das melhores praias e grutas de Portugal. Não admira que tenha atraído árabes, romanos e até dinossauros. Rui Novo da Silva leva-nos a ver por que é louco por Sesimbra.​

Sesimbra é Peixe é a consagração em forma de slogan desta região «abençoada com o melhor que a natureza nos deu», afirma Rui Novo da Silva. Nasceu em Mação e viveu muitos anos em Angola. Já viu muito mundo, mas não se imagina a viver em mais lado nenhum. É um apaixonado pela vila e pela região: «Temos as maravilhosas praias do Meco, o Cabo Espichel, a linha de costa mais bonita do país, um mar com as cores do caribe e excelentes restaurantes e tascas para comer o melhor peixe do mundo». Se isto não chega, o farmacêutico destaca ainda as origens milenares, vestígios de dinossauros, marcas da presença do império romano e influências árabes. 

Aqui encontra-se tudo o que de melhor pode haver no mundo em terra e debaixo de água. A natureza foi generosa com a região. Uma costa recortada criou praias secretas e recantos, muitos dos quais só acessíveis por mar. Terra de pescadores, Sesimbra exibe uma arquitectura simples feita de e para as gentes do mar. E são as gentes do mar que moldam a península. 

O nosso passeio começa pelo local de eleição do farmacêutico: o Cabo Espichel onde, reza a lenda,  surgiu a figura de da Nossa Senhora do Cabo, e onde se construiu a ermida da Memória, pequena  estrutura medieval de planta quadrada e paredes baixas com uma cúpula que nos transporta para influência árabes.  

Em 1701, o rei D. Pedro II mandou construir um santuário que inclui a igreja da Nossa Senhora do Cabo, ladeada por hospedarias (depois de 1715) para receber os fiéis que ali podiam pernoitar. Em 1707, a imagem da Nossa Senhora do Cabo foi transferida para o interior da igreja, que hoje conta com uma réplica, estando a original guardada. 
No caminho para o Cabo Espichel não se surpreenda se se cruzar com rebanhos de ovelhas que pastam livremente. Logo ali ao lado fica a freguesia da Azóia, conhecida pelo seu queijo e pão, que não ajuda quem queira emagrecer mas a que é difícil resistir.

Em dias de sol este é um daqueles passeios que nos pacifica com o mundo. Não admira que conte com tantos visitantes, nacionais e estrangeiros. Dona Delfina, sesimbrense nascida e criada, é uma das senhoras que abre as portas da igreja às 9h30 e as fecha às 17h30. Conta que passam por ali muitos estrangeiros. Ao fim-de-semana «é uma loucura de pessoas». Com missa às quatro da tarde, ao domingo dificilmente conseguem fechar as portas à hora prevista. E nos dias da procissão anual, em que a verdadeira imagem percorre as freguesias do concelho, «não há descanso».
 

​Deixamos para trás o Cabo Espichel para descer à vila, passando pelas freguesias, que hoje acolhem mais população do que o centro, mas paramos para visitar o castelo de Sesimbra. Mais um marco de outros tempos. Na igreja já não se celebram missas. Mas tem sido «muito bem aproveitada» para organizar concertos e sessões de canto, tirando partido da acústica, explica o nosso guia, que sugere uma paragem na cafetaria do castelo ao pôr de sol.


O peso da história pressente-se em cada passo que damos. Os primeiros registos que se encontram da importância da pesca em Sesimbra remontam há 5000 anos e foram descobertos em escavações arqueológicas. A presença romana fez disparar a exportação de pescado para vários pontos do império. A indústria de conserva de peixe tem cerca de dois mil anos. No porto de abrigo ainda se vislumbram resquícios de grande actividade da pesca, da indústria de conserva e de construção e manutenção de barcos e navios. 

Com o declínio da pesca e da indústria da conserva de pescado surgiu outra actividade, que atraiu um novo tipo de forasteiro: a pesca desportiva ao espadarte. Rapidamente se transformou num símbolo da vila e deu o nome ao primeiro hotel na marginal. O Hotel Espadarte constituiu um grande impulso ao turismo na região. É neste contexto de valorização das tradições da região que, em 2013,  surgiu o projecto “Sesimbra é Peixe”, numa proposta do Turiforum, grupo informal de empresários de turismo da região. 

À entrada, do lado esquerdo, vendia-se o peixe acabado de chegar do mar, mas essa foi uma actividade transferida para o mercado. Exigência da modernidade. Em contrapartida, percebe-se o fervilhar dos desportos náuticos, com uma marina de recreio bem apetrechada, os serviços da capitania num edifício moderno e os variadíssimos centros de mergulho, que nos últimos 15 anos surgem como cogumelos. Mais uma vez o mar atrai gente. Uma gente diferente, mas gente que repete a visita. Para os menos aventureiros há outra forma de ver o fundo do mar, em barcos de recreio onde biólogos explicam a miúdos e graúdos os mistérios que ele esconde. 

Outro dos locais obrigatórios para Rui Novo da Silva fica bem no centro da vila. A Fortaleza de Santiago. Mandada construir em 1648 esteve até há poucos anos entregue à Guarda-fiscal à Alfândega. Passou recentemente para a alçada da Câmara Municipal, prevendo-se a dinamização de eventos culturais. Para já conta com a “melhor esplanada” da vila, mesmo em cima do mar, e em breve abrirá o Museu do Mar. Há quem diga que é o último dos castelos portugueses sobre o mar a manter a traça medieval. 

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