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28 março 2017
Texto de Rita Leça Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro Texto de Rita Leça
Serviço de assistência técnica

​​​​​Na Farmácia Parreira Cardoso, em Figueira dos Cavaleiros, os farmacêuticos ajudam os utentes em todos os aspectos da vida diária.

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Farmácia Portuguesa #219 Farmácias reais
José Arménio, 64 anos, reformado, entra na farmácia como quem chega a casa de um amigo. Conhece todos os que ali, há vários anos, trabalham, mas é ao técnico Manuel Canilhas que dispensa um cumprimento mais caloroso, ou não fossem primos e amigos de longa data. 

«Aqui toda a gente se conhece. Somos como uma grande família», diz, tanto em sentido literal como metafórico. De facto, na Farmácia Parreira Cardoso, na aldeia alentejana de Figueira dos Cavaleiros, os utentes são tratados pelo nome próprio, conhecem-se as rotinas, as famílias, as maleitas e os medicamentos que tomam. «É o que acontece nos lugares pequenos», remata José Arménio. 



Manuel Canilhas, técnico na farmácia desde o primeiro dia, foi também presidente da Junta de Freguesia durante 16 anos. «Esta é uma terra pequena e ser presidente da Junta não é uma ocupação profissional. Temos a nossa profissão, isso é mais um hobby», conta, num sorriso, considerando que as duas actividades se complementam, pela missão partilhada de ajudar as pessoas da região. 

E se em muitos locais do país a farmácia é espaço central, não só na saúde, mas nas demais áreas da vida das pessoas, aqui o conceito atinge o seu expoente máximo: fosse o que fosse, era normal e comum que quem precisasse de alguma coisa fosse direitinho à farmácia falar com o Manel. «Os motivos eram variados: problemas nas ruas, nas canalizações que às vezes rebentavam e lá tínhamos de ir resolver, multas, atestados de residência, assuntos com a Câmara ou com os tribunais», enumera, recordando que, uma vez, «até um tractor vieram pedir à farmácia, para ir a Santa Margarida do Sado!», aldeia limítrofe da freguesia. 

O tempo de Manuel Canilhas agora é integralmente dedicado à farmácia, onde as dificuldades de uma aldeia pequena e rural se fazem sentir diariamente. «Há falta de enfermeiros e os velhotes, muitas vezes, não têm quem os ajude. Vêm pedir à farmácia. Também levamos as pessoas a casa, ajudamos com os problemas quotidianos. Enfim, fazemos um pouco de tudo».
 


Em Figueira dos Cavaleiros, o posto médico abre apenas três vezes por semana, o centro de saúde fica em Ferreira do Alentejo e o hospital mais perto é o de Beja. «É uma população idosa, com reformas muito baixas. Muitas vezes, não podem ir às consultas nos médicos privados. Nas coisas mais pequenas, lá tem de ser a farmácia a resolver». 

A farmácia está de serviço permanente. Todos têm o número de telefone, mas também o de Manuel Canilhas. 

«Às vezes, as pessoas precisavam de uma assinatura. Vinham aqui à farmácia e resolviam logo o problema», lembra, por sua vez, José Olho Azul, 75 anos, empresário de reparação automóvel. Foi ele que convenceu Manuel Canilhas a envolver-se de forma activa no mundo da política, o qual, agora, já longe das lides, não tem problema em admitir que, se pudesse, voltava a candidatar-se. E tem vários apoiantes. «O Manel foi eleito para quatro mandatos e executou-os na perfeição. Ele ajudava toda a gente. Se pudesse, votava nele outra vez!», garante José Arménio. 


Para Célia Duarte, proprietária e directora-técnica da Farmácia Parreira Cardoso desde 1993, é «muito gratificante» trabalhar com o ex-presidente da Junta, num lugar onde a população já está habituada a socorrer-se na farmácia com regularidade. «Há uma senhora que vem cá todos os dias só para conversar um bocadinho. Depois pedem-nos para ler cartas, porque ainda há muita gente que não sabe ler, ou dar uma boleia quando é preciso». E, já se sabe, «às pessoas mais carenciadas cá da terra sempre se facilita o pagamento». 
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