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2 outubro 2017
Texto de Rita Leça Texto de Rita Leça Fotografia de Alexandre Vaz e Luís Silva Campos Fotografia de Alexandre Vaz e Luís Silva Campos

Remédio para todos os males

​​​​​Não há limites para o génio humano na luta contra a doença.

Cigarros para a asma, vinho para a embriaguez, pasta de dentes glicerinada. Parecem mentira? Pois, acredite! Imagine conhecer estes remédios, lado a lado com descobertas revolucionárias para a saúde pública, como a penicilina. A exposição “Museu Global 20+1”, comemorativa dos 21 anos do Museu da Farmácia, guia-nos pela História da Farmácia e do Medicamento, mas também das mentalidades. Juntamente com relíquias que testemunham os avanços mais importantes da ciência e da tecnologia, como o microscópio ou as farmácias portáteis, podemos ver velhos instrumentos de limpeza de línguas e dentes, truques de curandeiros de culturas distantes, antigos preservativos e um cinto de castidade. Não há limites para o engenho da humanidade na procura da vida perfeita e saudável. Porque nem mesmo os pequenos males são, na maioria das vezes, suportáveis, como deixou escrito Álvaro de Campos.

Tenho uma grande constipação, ​​
E toda a gente sabe como as grandes constipações 
Alteram todo o sistema do universo, 
Zangam-nos contra a vida, 
E fazem espirrar até à metafísica. 
(…)
Preciso de verdade e da aspirina.

 
​​
A primeira revolução sexual
Feito com pele de intestino de ovelha, este preservativo de origem inglesa, possivelmente do século XVIII, tem 21 centímetros e está decorado com uma cena de um encontro sexual, onde a mulher se debate e repele o homem. No fim tem umas fitas para serem atadas. A invenção do preservativo é atribuída ao italiano Gabriele Fallopio (1523-1562). Consistia num tecido de linho que cobria a glande, preso ao pénis por um laço.

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Cigarros para a asma
Asma brônquica, febre dos fenos e cat​arro nasal. Três doenças com a mesma cura: os cigarros Asthmador. Era o início do século XX. A febre da Belle Époque arrasava o tradicional estilo de vida, calmo e bucólico, dos países desenvolvidos. A moda de fumar estava no auge. Foi nessa altura que o fabricante norte-americano Dr. R. Schiffmann´s lançou em Portugal os cigarros sem tabaco, garantindo uma saúde respiratória invejável.

 

Cinto de segurança
Na Idade Média, a mulher, na ausência do marido e para proteger a sua honra, deveria usar um cinto de castidade em metal. Ficava protegida contra tentativas de violação e a salvo de qualquer tentação de infidelidade sexual. Um conceito que se manteve ao longo dos séculos. Durante a Revolução Industrial, em Inglaterra, era uma forma das operárias se protegerem em ambiente fabril, frequentado na sua maioria por homens frequentemente alcoolizados.

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Vade retro, satanás!
Esta máscara do Sri Lanka representa o demónio Daha Ata Sanniya, também conhecido como "Sanni Yakuma", a quem se deve um dos principais festivais rituais dos budistas das regiões rurais daquele país. Através de danças, cantares e oferendas, os buditas cingaleses pretendem curar alguém doente que se acredita estar possuído por um demónio. Este, após as ofertas adequadas, liberta o corpo doente e a pessoa é considerada curada. Aqui, Daha Ata Sanniya está ladeado por 18 miniaturas dos demónios responsáveis pelas doenças.​

 

Preguinhos que curam
Vinda do Congo, esta estatueta Nkisi Nkondi, em madeira, era usada pelos curandeiros para controlar as forças espirituais maléficas, atraídas por “medicamentos” inseridos no abdómen. Era espetado um prego na estatueta cada vez que os poderes do curandeiro eram solicitados.

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A penicilina, milagre do século XX...
Em 1945, a penicilina foi administrada pela primeira vez em Portugal, ao tenente Fernando Ramôa, após um grave acidente. O efeito antibiótico da penicilina, descoberta em 1928 por Alexander Fleming, rapidamente a tornou na grande inovação terapêutica do século XX contra as doenças infecciosas.

 

Primeiros socorros em tempo de guerra
Material usado pelos soldados durante o desembarque da Normandia a 6 de Junho de 1944. Continha pensos, ligaduras, gazes, tesouras e medicamentos, como ácido acetilsalicílico (analgésico e anti-inflamatório), fenacetina (anti-pirético e analgésico), comprimidos catárticos (purgativo), pó de ipecacuanha e ópio (sedativo).

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Eterno símbolo de uma profissão
Ícone do trabalho do farmacêutico, este almofariz feito em bronze é composto por oito contrafortes, criando painéis decorados, alternadamente, com o emblema da Companhia de Jesus e um motivo floral. A sua origem é nacional e está datado dos séculos XVI-XVII.

 

Máscara da vergonha
Disturbios mentais eram vistos como a entrada do demónio dentro do corpo, por isso, uma vergonha. Para controlar alguns comportamentos, a pessoa era posta nesta máscara, que tinha uma língua para a pessoa deixar de falar e insultar e uma campainha para se perceber onde estava.

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Chegámos ao espaço
Utilizada pelos astronautas durante a viagem no vaivém espacial “Endeavour”, em Dezembro de 2000, esta farmácia portátil, de tecido impermeável e muito leve, acondiciona em pequenos cilindros de plástico uma vasta gama de medicamentos, como demerol e morfina (poderosos analgésicos), atropina (arritmias), amikacin (antibióticos), phenergam e benadryl (anti-histamínicos).

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