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9 dezembro 2016
  Opinião
O coração do SNS

​​​A opinião de Paulo Cleto Duarte, presidente da Associação Nacional das Farmácias. ​
A actividade desenvolvida pelas sete farmácias finalistas do Prémio João Cordeiro – Inovação em Farmácia merece ser reconhecida como exemplar. Mas não é uma excepção. É a regra nas farmácias portuguesas. As farmácias continuam a ser um serviço com padrões de segurança e qualidade impossíveis de replicar por qualquer outro modelo. São também a rede de serviços de saúde melhor distribuída pelo território e mais visitada pelos portugueses. Este facto torna evidente a importância de Portugal conservar e aproveitar devidamente a rede de farmácias. Para implementar objectivos de saúde pública é imprescindível chegar às pessoas.

Os farmacêuticos comunitários são profissionais de saúde qualificados, com raízes sólidas nas comunidades, rurais e urbanas. Discretamente, ao longo dos anos, muitas farmácias foram resolvendo os problemas de acesso ao medicamento dos portugueses mais necessitados. A maioria dos farmacêuticos guarda no coração as mulheres e os homens a quem ajudou numa hora difícil. Foi uma honra e um privilégio termos tido essa oportunidade.

Infelizmente, os tempos estão cada vez mais difíceis para isso. Com a brutal e injusta perseguição económica de que foram alvo na última década, as farmácias tiveram de começar a lutar também pela sua própria sobrevivência. Quem luta para honrar salários e pagamentos a fornecedores tem mais dificuldade em ajudar quem precisa.

Hoje, sabemos que um em cada cinco doentes, por falta de dinheiro, não leva para casa os medicamentos todos. Todos os dias ouvimos doentes perguntar quais os medicamentos da sua receita médica que podem deixar para trás. Não há nada mais frustrante para um farmacêutico do que isto.

O problema não é o preço do medicamento nem a margem da farmácia, que em Portugal são os mais baixos da Europa. O problema é a crise económica, que atirou muitos portugueses para o desemprego e a exclusão social. A crise económica põe em causa o acesso de muitos milhares de cidadãos a bens essenciais, como o direito à saúde.

A Associação Dignitude é o resultado da união estratégica dos sectores Social e da Saúde. Cáritas Portuguesa, Plataforma Saúde em Diálogo, APIFARMA, Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e União das Misericórdias Portuguesas trazem a este projecto uma grande força transformadora.

As farmácias querem ser um parceiro. Pomos à disposição da Dignitude a nossa rede bem organizada, capaz como nenhuma outra de chegar a todos os que precisam.

António Arnaut afirma que «as farmácias são o braço longo do Serviço Nacional de Saúde».

A Associação Dignitude vai ser o coração.

Arrancámos há cinco meses com o projecto-piloto, no qual participaram nos quais participam 149 farmácias de 11 concelhos. Estamos a dar os primeiros passos de um longo caminho. Mas já tornámos possível o acesso de 1.519 pessoas à terapêutica prescrita pelos médicos. O Programa Abem já é uma realidade na vida de 313 crianças e adolescentes.

A meta é apoiar 200 mil portugueses. O Programa Abem existe para acabar com qualquer discriminação no acesso ao medicamento. Os valores do SNS, como afirma o seu fundador, são incompatíveis com farmácias de primeira e farmácias de segunda, estas só para pobres.​
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