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19 novembro 2016
Texto de Manuela Moura Guedes Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro Texto de Manuela Moura Guedes
«O Porto é a cidade mais bonita do mundo»

​​​​​​Poderia ser a maior estrela entre os pivots de televisão em Portugal. Tem tudo para isso. Teve palco para isso. Preferiu voltar às origens. É feliz!

Revista Saúda - Trocaste Lisboa pelo Porto e deixaste para trás toda aquela exposição pública...
Ana Guedes Rodrigues - Abdiquei dessa exposição mas ganhei muitas outras coisas em troca. No Porto havia muitas pessoas com saudades minhas e o país não é só Lisboa.

RS - Há o Porto.
AGR - O Porto é a cidade mais bonita do mundo. Nunca conheci uma cidade tão bonita como o Porto, se calhar é uma paixão.

RS - Porquê a mais bonita?
AGR - Não sei bem explicar. Se calhar porque fui tão feliz aqui no Porto como nunca fui noutra cidade, se calhar é por isso. Mas quando vejo fotografias do Porto, acho mesmo que é uma cidade bonita, de postal.

RS - E essa felicidade inclui-se nestes últimos anos?
AGR - Sim, sim. Os últimos 4 anos foram os mais felizes da minha vida e também os mais intensos, porque me casei, fui mãe, porque aceitei o desafio de ir para o Porto Canal, inicialmente como pivot e repórter, um ano depois como directora de Informação. Do ponto de vista profissional, têm sido anos de grande aprendizagem; do ponto de vista pessoal, meu Deus, a maternidade é uma escola intensa! (riso)
 
RS - Ainda por cima duplamente 
AGR - Duplamente, duplamente... nunca alguém sabe tudo com gémeos.

RS - Tem sido complicado? 
AGR - Agora está bem mais fácil, mas os primeiros tempos foram difíceis... Agora eles estão mais autónomos. Já se vestem e tomam banho sozinhos... 

RS - A tua infância também foi passada aqui?
AGR - Sim, do lado de Gaia, com vista para o Porto. Uma infância felicíssima. Cresci no campo, a minha casa de bonecas era um espigueiro que o meu avô
me ofereceu, a mim e às minhas primas. Quem me dera dar aos meus filhos a infância que tive!

RS - E tentas?
AGR - Tento, tento. Primeiro, porque tive a sorte de poder dar um irmão a cada um deles. Nunca estão sozinhos. E depois porque brincam imenso cá fora. Vão para o campo, calçam as galochas, vão dar comida aos animais. No Inverno também não ficamos fechados em casa. Ao fim-de-semana eu não saio de Gaia praticamente. Fazemos tudo a pé com os miúdos, de bicicleta... vamos à praia, a parques infantis. Optamos por restaurantes perto de casa, há restaurantes giríssimos.

RS - És uma mulher do Norte?
AGR - Se calhar, sou. (um sorriso enorme)

RS - Dás-te melhor no Norte?
AGR - Sim.

RS - O que tem o Norte diferente do Sul?
AGR - As pessoas.
 
RS - O que é que as distingue? 
AGR - A forma como lidamos uns com os outros. As pessoas do Porto criam amizades mais sustentadas, têm mais saudades umas das outras, não partem rapidamente para outra amizade, são mais de partilha de sentimentos, são menos superficiais. Somos mais de toques e abraços. Partilhamos mais as nossas emoções, é isso.

RS - E no Natal, como é que é?
AGR - Os meus Natais na infância eram com muita gente mesmo, principalmente do lado da minha mãe, com muitos irmãos e muitos primos. Entretanto a família cresceu desmesuradamente. Os meus primos tiveram muitos filhos, os Natais passaram a ser uma grande confusão, muitos presentes... Fizemos, então, quase núcleos de famílias. Abdicámos dos Natais com muitas pessoas e eu tenho feito isso com os meus filhos, o meu marido...

RS - Desses Natais com muitas pessoas, lembras-te de algum em particular?
AGR - Nós fazíamos jogos relacionados com a atribuição dos presentes e dividíamos a família em dois grupos. Lembro-me que houve um ano em que um dos grupos da família fez uma peça de teatro sobre o nascimento de Jesus. E lembro-me do meu tio mais sério, aquele que alinha menos nas brincadeiras, estar no meio da sala, de fralda. (gargalhada)

RS - Que tamanho é que ele tinha?
AGR - Metro e oitenta de homem. Foi muito engraçado. Não sei se foi o vinho tinto ao jantar que ajudou, se foi o espírito de Natal, sei que o espírito de alguém naquela família se libertou... (risos)

RS - E os teus filhos com o Natal, como é que é?
AGR - Ainda não percebem bem o que é. Eu e o meu marido não somos crentes e, por isso, não conseguimos incutir nos nossos filhos o Natal católico do nascimento de Jesus. Por isso, é mais um Natal virado para a família, menos para a fé católica e um bocado para o Pai Natal. Temos uma troca de presentes mas não é exagerada, ninguém tem dez presentes, nem os miúdos, é controlado. E, mesmo ao longo do ano, eles sabem que têm presentes quando preenchem todas as estrelinhas do quadro de mérito, quando cumprem todas as funções pedidas. 

RS - Têm 4 anos...
AGR - Sim, mas não lhes dou tudo o que eles querem. Exagera-se no consumismo. O Natal e o dia de anos têm de ser valorizados, são dias para presentes. No resto do ano, para os receber têm de os merecer.

RS - E tu, costumas receber presentes?
AGR - Costumo.

RS - Isso quer dizer que mereces muitos presentes?
AGR - Humm... Por acaso mereço (gargalhadas soltas). Mereço porque me esforço para cumprir e para merecer. Mas também devo dizer que não recebo tantos quanto isso, fora das tais épocas. (risos)

RS - Não tantos quantos mereces?
AGR - Se calhar merecia mais. Eu esforço-me tanto! (suplica entre risos)

RS - Esforças-te em quê?
AGR - No meu trabalho, por exemplo.

RS - Gostavas de receber o quê? 
AGR - Gostava que satisfizessem mais os meus pedidos. Aqueles pedidos que não são caprichos, são para trabalhar melhor. «Preciso de mais repórteres de imagem, preciso de mais três jornalistas, preciso de mais...». Isso para mim seria um belíssimo presente.

RS - Sempre quiseste ser jornalista? 
AGR - Não. Ainda hoje não sei se quero. Há muitos dias em que acordo a pensar que não quero ser jornalista.

RS - Porquê?
AGR - Eu sou muito bem disposta, descontraída e o jornalismo dá-nos muito pouco espaço para isso. É de manhã à noite a tratar de notícias más, negativas...

RS - É uma paixão...
AGR - Há dias em que tenho muita certeza do que estou a fazer, há outros em que o desespero é tão grande que penso: «Ai, que eu era tão mais feliz numa linha de montagem!» e aí questiono-me: «Será que estou mesmo apaixonada por isto?». E depois vem a resposta no dia seguinte quando acordo e volto a fazer jornalismo – Só pode ser paixão! 
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