Política de utilização de Cookies em ANF Este website utiliza cookies que asseguram funcionalidades para uma melhor navegação.
Ao continuar a navegar, está a concordar com a utilização de cookies e com os novos termos e condições de privacidade.
Aceitar
15 dezembro 2016
Texto de Carina Machado e Maria Jorge Costa Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro Texto de Carina Machado e Maria Jorge Costa
«Na Cáritas, os medicamentos mais solicitados são para a depressão»

​​​​​Na sociedade dos nossos tempos, pobreza é, muitas vezes, sinal de insucesso.​

A realidade da pobreza não é estranha a Eugénio da Fonseca. «Nasci numa família pobre. Sei o que é viver a pobreza.» 

Mas eu fui pobre num tempo em que os pobres eram levados a aceitar a pobreza como uma condição natural de vida». 

Hoje, viver pobre é mais difícil. «Há mais estímulos externos, mais coisas, mais futilidades. Por outro lado, evoluiu-se muito no modo como se olham os direitos e os deveres das pessoas».  

Viver na pobreza deixou de ser algo com que a sociedade se conforma e é muitas vezes motivo de vergonha, diz. «Muitas pessoas me confessam: “Nunca pensei que poderia viver esta situação”. Muitas pessoas simplesmente não conseguem suportar uma vida de pobreza». 

O investimento da Cáritas Portuguesa em medicamentos para doenças do foro mental é disso reflexo. «A seguir à ajuda para suporte da habitação, vem a ajuda para adquirir medicamentos e os mais solicitados são para casos de depressão. 

É que, sabe? Às vezes, a pobreza, a falta de trabalho, não significa apenas a falta de dinheiro. Significa também faltar o estatuto social».