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24 junho 2015
Fotografia de Júlio Lobo Pimentel Texto de Carlos Enes
João Almiro: «Aprendam a amar»

​Não há palavras para apresentar uma conversa com João Almiro. O que ele diz não se descreve. O que faz não tem limites. A solução é ouvi-lo e ver.​​

Revista Farmácia Portuguesa – Como lhe surgiu a ideia, quando era jovem, de combater o alcoolismo e a toxicodependência?
João Almiro – Era a minha missão, como farmacêutico. A maior parte das infelicidades ou desarranjos conjugais são provocados pelo alcoolismo e pela falta de compreensão. Como eu era o farmacêutico que estava ao balcão da farmácia tinha muito contacto directo com as pessoas e apercebia-me disso.

RFP – Quantas pessoas recuperou do alcoolismo?
JA – Mais de mil. Mas não fui eu que recuperei. Quem os recuperou foram os médicos de alcoologia de Coimbra, que têm feito um trabalho fantástico. Não há semana nenhuma que não mande um carro ou dois com alcoólicos a Coimbra, às consultas. Nos primeiros meses, depois de serem tratados, precisam de acompanhamento. Mas é um encanto! Ver os miúdos que tinham nojo do pai e, ao fim de meio ano, o pai ser o orgulho dos filhos.

RFP – Os casos vinham ter consigo?
JA – Era no contacto que eu tinha com o público, através do balcão, que me apercebia dos grandes problemas. Ao mesmo tempo, notava que se conseguia milagres. A minha missão era só mentalizá-los. Depois levava-os a Coimbra.

RFP – Como conseguia um farmacêutico mentalizar uma pessoa viciada no álcool, que normalmente não aceita bem um conselho?
JA – Olhe, com muitas dificuldades… e muitos dissabores. Não era tudo vitórias. Nem sempre consegui ganhar. Muitas vezes, perdia. Uma vez, estive meia hora a tentar convencer uma senhora alcoólica a ir a Coimbra, mas o marido não deixava. Eles não queriam que se soubesse. «Levar a Coimbra para quê, ela não precisa de ir ao médico!», dizia o homem. Eu então disse-lhe: «O senhor não sabe que a sua esposa morre se não for tratada?». Foi aí que me atiçou o cão. O cão comeu-me um bocado da barriga da perna. O homem depois ficou a chorar e deixou ir a mulher. Hoje, vivem felizes! Abençoado bocado de perna que o cão me arrancou.

RFP – E como começou a sua guerra à toxicodependência?
JA – Quando regressaram os retornados do Ultramar. E quando os estudantes brasileiros vieram cá para Portugal. Foi uma invasão. Cheguei a ter em casa vários rapazes toxicodependentes. Levava-os a Coimbra, a uma casa que os recebia, mas às escondidas. Ficava ao pé de uma bomba de gasolina, acima do pavilhão dos Olivais.

RFP – Como é que chegavam a si os toxicodependentes?
JA – Sabiam. Quando nasceram os CAT (Centros de Atendimento a Toxicodependentes) eu estive oito dias a frequentar um curso no CAT de Leiria e outros oito dias no CAT de Aveiro, para ver como é que se trabalhava num lado e noutro. Uma vez tive uma discussão com uma directora de um CAT, aqui em Viseu, quando lhe levei um rapaz meu, toxicodependente. Eu esperava o tempo que fosse preciso. Sabe, gostava muito de estudar e levava sempre um livro. Mas o rapaz começou a ficar impaciente. E eu disse assim: «Este rapaz precisa de um bocadinho de cocaína, se me arranjasse aí um pouco de cocaína…». Desentendemo-nos. E eu peguei, saí. Não demorou um quarto de hora! (solta uma gargalhada). Eu trouxe a cocaína e disse-lhe: «Olhe o que eu comprei agora aqui fora».

RFP – Os toxicodependentes confiavam em si por instinto?
JA – Eu metia-me com eles. Outra vez, tive um miúdo em Coimbra que foi queimado. Ia para a pesca, a cana enrolou-se nuns cabos eléctricos e foi queimado. Foi para o hospital e eu é que tomei conta dele. Ao fim de um tempo, fugiu-me. Comuniquei ao Tribunal de Menores de Coimbra e à polícia. Passados quatro meses, foi apanhado a assaltar a caixa dos telefones do Estádio Universitário. Voltou-me a fugir, mas da segunda vez não disse nada à polícia nem ao tribunal. Fui ter com dois toxicodependentes daqui, dei-lhes dinheiro. E disse-lhes: «Eh pá, o pai dele é advogado, ele é toxicodependente e anda por aí». Foram ali ao Bairro do Ingote (Coimbra). Ainda não tinha chegado a casa, já me estavam a telefonar, a dizer que o tinham apanhado.

RFP – Não é fácil manter jovens em casa…
JA – Nós estávamos sempre a fazer coisas. Desporto, passeios, atletismo. A certa altura, íamos para aqui e para ali, íamos para o Algarve – 30 jovens, 15 dias. Aqueles vinham para cima e já iam outros 30, para os outros 15 dias. Uma vez fomos correr ao Porto e aconteceu uma coisa engraçada. Levámos quatro carrinhas, com 12 e 13 miúdos em cada carrinha. À saída dos restaurantes onde combinámos comer, apareceu-me a polícia de trânsito. Eu pensei: «Agora é que estou tramado, vou levar uma multa por trazer miúdos a mais». Mas, não. Eu disse aos polícias que éramos uma escola. E perguntaram onde nós íamos. Olhe, foram-nos a indicar o caminho para o estádio. Cheguei a ter aqui 114 miúdos, dos dois sexos: 40 e tal raparigas e 70 e tal rapazes. Só tive cá um caso de gravidez.

RFP – Como conseguiu ter tanta gente jovem junta e só ter um problema dessa natureza?
JA – Sabe que eu funcionava para eles não como um juiz, ou um polícia, mas como um irmão mais velho. Fui sempre o irmão mais velho. Sempre o mais velho. E conseguia manter um certo respeito

RFP – Lembra-se de quando apareceu a sida?
JA – Lembro.

RFP – Foi um susto para toda a gente, não foi?
JA – Foi um susto. Eu tenho um caso até muito engraçado. Quando o Caramulo foi fechado, havia lá um rapaz doente que não tinha ninguém. A mãe estava doida em Castelo Branco, internada em psiquiatria. Eu tomei conta dele. Ele começou a ser acompanhado por uma médica do BCG de Viseu (NR: Centro de Diagnóstico Pneumológico, onde era administrada a vacina BCG). Andámos um ano a tentar tratá-lo. Hoje eu era preso por fazer o que fiz (sorri). Episodicamente, eu ia com ele à médica, que era fantástica. Hoje eu era preso, era (continua manifestamente divertido). Um dia, comecei a olhar para ele. Sabe, eu queria ser médico. De maneira que, comecei a olhar para ele, assim, «este gajo não está bem»… (João Almiro inspira pelo nariz, por forma a mostrar que “cheirou” qualquer coisa) Um dia, tirei-lhe sangue, mandei analisar e tinha sida. Ninguém tinha dado por ela, nem no sanatório do Caramulo, nem no BCG de Viseu. Esteve quase à morte, foi internado em Torres Vedras. Quando voltou para cá começou a namorar uma rapariga, divorciada, que também era alcoólica, com uma filha. Queriam-se casar. Convenci-os a usarem sempre o preservativo e lá se casaram. Com o dinheiro que tinham juntado compraram uma casinha. A certa altura, queriam ter um filho. E eu disse: «não pode ser!». É a tal confiança. Não sou polícia nem juiz, sou irmão. «Mas nós queremos ter um filho!». Fui ter com o médico que o tratou em Torres Vedras. «Não podem!», disse ele logo. Eu argumentei: «Oh, senhor doutor, isso não dá resultado, eles querem e vão mesmo tê-lo!». Então, combinámos. Demos retrovírus durante uns meses até que as análises não davam absolutamente nada, negativos. Eu disse-lhes então: «Têm um mês para andarem sem preservativo». Vivem mesmo aqui! Têm um filho de 12 anos (o rosto de João Almiro irradia felicidade)! O miúdo vê-me e eu digo que é meu filho.

RFP – Como é que funcionou o Programa Troca de Seringas? Acha que conseguiu mesmo os objectivos que tinha?
JA – Sim, sim. Eu, com os toxicodependentes, também usava da confiança. Está a compreender?

RFP – Sim…
JA – Eu faço-lhes um controlo da cocaína, heroína, da canábis. Mas eu não preciso! Eu olho os toxicodependentes nos olhos. Passaram tantos pelas minhas mãos que, pela cor dos olhos, pelo brilho dos olhos, sei logo se têm cocaína, se têm heroína… Pela efervescência deles, o rir, sei logo se estão sob a influência de uma determinada droga.

RFP – Viu muitos jovens vencer a droga?
JA – Muitos, muitos. Tenho outro caso, de um rapaz toxicodependente que era um pobre diabo. Foi escravo dos ciganos durante sete meses. Raptado, tinham-no lá. Eles roubaram um carro e o rapaz guiava o carro. Iam no IP5 e viam que havia placas de alumínio e redes. Punham-se lá às duas e três da manhã a roubar aquilo tudo, uns à frente e outros atrás. Então o rapaz carregava a rede e levava. Já pensou, se fosse apanhado? Não era encartado, o carro era roubado… A certa altura, arrependeu-se. Foi para o hospital de Viseu e disse aos médicos. Os médicos comunicaram o caso às assistentes sociais. Chamaram-me para ir lá buscá-lo. Quando cheguei, estavam lá ciganos. De maneira que teve de ser a polícia a levá-lo do hospital para a esquadra e eu fui buscá-lo à esquadra. Mas está recuperado.

RFP – Como é que o senhor foi parar a farmacêutico?
JA – O meu pai era um médico de aldeia, formado em 1903. Eu escondia-me no consultório a vê-lo operar uma perna, ou um braço, e ele ralhava comigo. Eu queria ser microcirurgião, mas o meu pai disse que não. Já tinha irmãos mais velhos em Medicina, o namorado da minha irmã também já andava em Medicina… «Já são médicos a mais na família. Vais ser farmacêutico, vais para a farmácia». O meu pai morreu e eu ainda não andava na universidade. Mas fui para Farmácia, porque era a vontade de meu pai. Fui para a farmácia, há 65 anos, e não gostei do balcão. Fugi para dentro e dediquei-me a ler, sempre fui muito estudioso. Cheguei a ser o farmacêutico com mais presenças em congressos da FIP (Federação Internacional Farmacêutica). Uma vez fui a um congresso a Londres. Trouxe mais dinheiro em livros do que custou a viagem de 15 dias. O congresso eram oito dias e eu ficava outros oito a ver coisas.

RFP – Se eu fosse um jovem farmacêutico, o que me aconselhava a fazer?
JA – Aconselhava-o a desenvolver a sua profissão. Primeiro, evoluir. O meu pai quis que eu fosse farmacêutico, tinha que evoluir como farmacêutico. E como farmacêutico trabalhei, ao balcão. Mas dediquei-me. Estudei. Criei um laboratório. A Labesfal foi criada por mim. Olhe que eu tinha que ser contabilista, tinha que ser director técnico, tinha que ser economista, tinha que ser director de pessoal, tinha que ser o engenheiro das obras do laboratório velho que eu fiz. O laboratório novo já não é meu, dei aos meus filhos. Fiz o laboratório, fiz uma fortuna, quando os meus filhos cresceram, tinham um império. Primeiro, o humano. Como farmacêutico, evoluir e desenvolver, para me impor. Impus-me. Depois dediquei-me aos outros. Levo o laboratório comigo? Não. Mas aquela rapariga que eu salvei da lama, aquela rapariga que eu fui buscar ao Hotel Ibiza, a Setúbal, às duas da manhã, com 11 anos, estava na cama com um velhote de 60 anos e tinha sido vendida por 100 contos. O velhote pagou 100 contos para dormir uma noite com uma miúda virgem, com 11 anitos. Há dinheiro que pague isso? Que me interessa o dinheiro?


 
​RFP – Recolheu muitas crianças vítimas de abusos sexuais?
JA – Sim. Tenho aqui um caso que é um pavor. Uma miúda de 12 anos, veio para aqui a pedido do tribunal de Setúbal. Chegou-me aqui à noite, com a polícia. A miúda algemada, algemada! E eu dizia-lhes: «Tirem-lhe as algemas!», e eles, «Não, sem o senhor assinar o termo de responsabilidade, não tiramos». Assinei o termo de responsabilidade. Três dias depois fugiu e eu apanhei-a outra vez. Era de Aveiro. A minha filha andou seis meses com a miúda num dermatologista, porque era abusada numa discoteca. Com 12 anos. Um velhote rico abusava dela. E quando já não podia fazer mais actos com ela, sabe qual era o prazer dele? Despi-la completamente e com os cigarros queimar-lhe os seios e as axilas, para ter o prazer de ver a miúda contorcer-se. Com 12 anos! Andou a minha filha com ela seis meses num dermatologista, a tirar-lhe as marcas. Hoje está casada, tem um apartamento, tem marido, tem uma filha (o rosto de João Almiro ilumina-se de verdadeira felicidade). Imagine o que uma garota de 12 anos sofre. Um velhote com dinheiro. Eu prefiro não ter dinheiro. Eu não quero levar o meu caixão cheio de dinheiro. Quero um caixão de amor e serviço, que dei aos outros. É para isso que eu vivo. Estou radiante para morrer como Deus quiser, mas não é com o dinheiro. É com amor que dou a eles. E venço-os pelo amor.

RFP – Com quem é que vive?
JA – Com 30 jovens. Toxicodependentes, alcoólicos e ladrões. Tenho sete nas cadeias. É um encanto visitá-los. Vivo para eles. Amo-os, sirvo-os. Ainda não há um ano, trouxe para aqui um cigano que era um pavor. Vi-me aflito. Embebedava-se pelas tabernas, pelos cafés. Uma vez fugiu-me para Viseu. Fez uns distúrbios. Eram 11 da noite e telefona a polícia: se eu lá ia, ao Bairro da Ladainha. Estava na cama, vesti um robe e fui. Cheguei, estava a polícia, dois blocos rivais de ciganos, de um lado e de outro, e estava tudo doido. Saí do carro, fui buscar o Abel. Trouxe-o comigo e recuperei-o. A polícia dizia que tinha de intervir. Eu fui lá de pijama e não houve zaragata.

RFP – Como é a sua casa?
JA – Somos irmãos, todos. Tenho dois sem uma perna. Tenho um doente de fígado transplantado que já vive independente, já me mandou passear, já não precisa de mim para nada. Só o levo de quatro em quatro meses a fazer um controlo. Anteontem, um deles teve um ataque epiléptico. Puseram-me numa cadeira de rodas para eu subir as escadas. Tive de subir dois degraus à uma da manhã, mas nem que fosse preciso subir dois andares.

RFP – O senhor vive para os outros.
JA – Sim, sou um homem feliz. Não tenho medo de nada. Esses indivíduos dão-me mais do que o que eu lhes dei. Lembre-se disso. Estes ladrões, estes alcoólicos, quando recebem uma migalha dão muito mais. Numa altura, caí e parti um osso da bacia. Eles, de noite, a toda a hora iam ao quarto, ver se eu estava a dormir bem. Ladrões, alcoólicos, são iguais a nós! Não tiveram apoio, não tiveram ninguém que os ajudasse!

 

Subitamente, João Almiro recorda debates antigos com a Segurança Social. Pela primeira vez, o rosto e o grão da voz mostram indignação:
JA – Gastamos dinheiro a mais com luxos. Para que é um quarto de banho para cada um? Matem-lhes a fome e dêem-lhes uma cama! Não querem luxo! O senhor precisa de um quarto de banho só para si? Ou precisa de um quarto de banho onde quatro ou cinco têm uma banheira para tomar banho, têm uma cama para dormir? Eu tenho um indivíduo, lá em minha casa, que limpava o rabo às mãos e depois limpava às paredes. Não tenho nojo. Tenho uma mulher lá que, quando veio, fazia cocó e limpava o rabo e limpava às paredes. Não tenho nojo, ela é minha irmã. Não a pus na rua, salvei-a. Se o senhor for à minha casa, tem uma jarra com flores e um menino Jesus. É ela que dirige a casa. Vai buscar as flores, uns ramos muito simples, mas são os ramos dela, que ela entende. Era uma alcoólica e uma prostituta. Está em casa. Limpa o chão. Trata das flores. E vive. Já não é gozada, nem embebedada. Nós temos de considerar os outros nossos irmãos e de modo especial quanto mais desgraçados e perseguidos são. Sabe que esses homens têm a rua, têm o desprezo e as tentações. Não têm ninguém que lhes dê a mão. E a gente dá um dedo e eles levantam-se logo. Para que é que eu quero o dinheiro? Para amar, mais nada. Tornar os outros felizes iguais a mim. Dar-lhes o direito que eu tive. Eu tive um pai e uma mãe e uma família, e todos têm direito a isso. Imagine o que é um indivíduo em Lisboa, a dormir debaixo de uma escada, embrulhado em cartões. O que é que se faz ao dinheiro? Porque é que há outros a dormir num quarto tão grande que nem sabem usá-lo? Temos uma sociedade que vive de fachada. É tudo muito bonito, custa dinheiro, queremos mandar nos outros. Eu não quero mandar, quero que mandem em mim. Sou o guarda deles, mas para me levantar da cama tenho de os chamar.

 RFP – Como consegue integrar tantas pessoas com histórias brutais de vida?
JA – Sabe, é preciso confiar neles. Um dia, eram duas da manhã, aparece-me aqui uma mãe com um miúdo de 13 meses com um olho furado. O marido tinha chegado bêbado, deu-lhe uma tareia e espetou um vidro no olho do miúdo. Pus uma rapariga mongolóide a tomar conta dele no Hospital Pediátrico de Coimbra. Foi a primeira miúda que eu recebi. Ela, ao fim de dois anos de cumprir uma pena aqui, ainda ficou três ou quatro meses, porque não queria deixar esse miúdo e outra criança. «O senhor é um doido, pôs uma presidiária a tomar conta de duas crianças», diziam-me. Não sabem aproveitar a grandeza do ser humano! O ser humano se é rico, faz tudo. Uma miúda mongolóide é desprezada. Estas árvores que vê aqui foram eles que as plantaram. Agora, não podem! Podem roubar, podem embebedar-se, mas não podem trabalhar.

 ​RFP – Como faz para que cumpram regras?
​JA – As coisas não podem ser sempre como eles querem, mas também não podem ser sempre como nós queremos. Há ali um caminho no meio.​