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22 junho 2016
Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de Céu Guarda Fotografia de Céu Guarda Texto de Sónia Balasteiro
A tradição que vem de longe

​​​​​​​Já é possível conhecer um pouco da história da arte nipónica do medicamento. Numa iniciativa sem precedentes, a empresa Kokando ofereceu ao Museu da Farmácia 15 peças, do século XVIII ao início do século XX.

Uma farmácia portátil de entrega ao domicílio, cestos para transportar caixas de medicamentos, embalagens, ábacos, litografias, registos clínicos de várias famílias. Ao todo, são 15 os artefactos que contam a história do medicamento e da farmácia do Japão entre o final do século XVIII e o início do século XX, a integrar, desde Junho, a colecção do Museu da Farmácia, em Lisboa.

«Apenas recentemente os japoneses passaram a ter um conceito de farmácia enquanto espaço de saúde público como nós temos», explica o director do Museu da Farmácia, João Neto. «Antigamente, os medicamentos eram colocados dentro de uma caixa, a chamada farmácia portátil, e entregues ao domicílio, mesmo nos locais mais recônditos». As peças que integram agora o espólio do museu, sublinha, revelam uma parte ancestral da cultura farmacêutica nipónica, que sempre teve como base «o acesso de todos à saúde e ao medicamento».
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As peças foram doadas pela empresa japonesa Kokando, fundada em 1876 em Toyama, cidade reconhecida em todo o Japão como um centro de medicina por excelência. Trata-se de uma das companhias farmacêuticas com maior tradição na produção e entrega de medicamentos. Os seus vendedores viajavam por todo o território, espalhando a mensagem-chave da empresa: «Os tratamentos médicos devem sobrepor-se ao nosso próprio benefício».

Actualmente, a Kokando, criada há 130 anos, continua a privilegiar a relação de confiança e proximidade com os clientes, o que tem permitido à empresa conhecer e dar a melhor resposta às necessidades das várias gerações.
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A doação das peças ao Museu da Farmácia resultou de uma visita, em Março deste ano, do embaixador japonês, Hiroshi Azuma, e de um empresário farmacêutico japonês. Desde então, foram efectuados contactos, quer pelo embaixador quer pelo empresário, junto do meio farmacêutico japonês, que culminaram nesta doação inédita. Nunca uma empresa farmacêutica nipónica tinha feito oferta idêntica a um museu estrangeiro.

O responsável do museu, João Neto, congratula-se com «o grande empenho do embaixador japonês em Portugal que possibilitou esta oferta», salientando tratar-se de uma «oportunidade única de conhecer a evolução da história da farmácia japonesa». A colecção, conclui, vem enriquecer o espólio do museu, «permitindo conhecer a história da farmácia de diferentes perspectivas» pelo mundo.

SAÚDE FAMILIAR AO DOMICÍLIO
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Entre os artefactos doados ao Museu da Farmácia em Junho pelo laboratório japonês está a chamada “farmácia portátil”, uma caixa que era utilizada entre finais do século XIX e início do século XX (era Edo-Meiji), para levar os medicamentos a casa dos utentes.

Do espólio constam ainda registos clínicos familiares. As farmacêuticas nipónicas mantinham registos clínicos de várias gerações, o que lhes permitia conhecer o historial médico completo da mesma família. Este método personalizado garantia o acesso de todos os utentes japoneses à saúde, uma vez que as empresas farmacêuticas conseguiam adequar a produção dos medicamentos às necessidades reais das pessoas.

As duas peças, aponta João Neto, ilustram como funcionava a ancestral cultura farmacêutica nipónica «antes da industrialização da farmácia japonesa».

Ao longo dos anos, «esta tradição de levar os medicamentos a casa manteve-se, sobretudo com as pessoas mais antigas».

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