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17 dezembro 2016
Texto de Nuno Monteiro Pereira (Urologista e Andrologista) Texto de Nuno Monteiro Pereira (Urologista e Andrologista)
Idade activa

​​​​​​​Envelhecer não é abdicar de viver.

É certo que envelhecer é um processo fisiológico normal, não é uma doença. Mas, ao envelhecer, o corpo sofre modificações cuja tendência é a redução da eficácia de todos os órgãos e sistemas. A sexualidade é uma das vertentes da vida que mais se ressente com o envelhecimento.

Na mulher, o envelhecimento sexual é claramente percepcionado pelas modificações funcionais iniciadas na menopausa, particularmente a diminuição da lubrificação e a atrofia vaginais, quase sempre associadas  à diminuição ou perda do desejo sexual. Mas mais do que a diminuição da capacidade sexual, as mulheres sentem as alterações da morfologia do corpo. Entre sensações e emoções diversas desencadeadas pelo corpo que envelhece e a disfunção sexual que aparece, uma feminilidade confiante muitas vezes só é conseguida pelo refúgio em habilitações sociais e afectivas. Essas habilitações podem dirigir-se ao marido, mas quase sempre privilegiam os filhos e, principalmente, os netos. Uma certa auto-exigência em matéria de cuidados corporais, de vestuário, de penteado e de postura são também frequentes nesta idade. Ou então, acontece o oposto: isolamento, negligência em tratar-se, vestir-se e cuidar-se.

No homem, o envelhecimento ao nível da sexualidade sexualidade é principalmente manifestado pela consciência da diminuição da capacidade eréctil e pelo receio da perda definitiva dessa capacidade. Na verdade, a partir da meia-idade surgem sinais biológicos que traduzem uma perda da capacidade viril. É o caso do enfraquecimento muscular, da diminuição de pilosidade, da menor actividade sexual. O crescimento prostático também pode começar a obrigar a um jacto urinário mais fino e menos poderoso, e a micções mais frequentes. Esse início de andropausa é também acompanhado de outros sinais que, embora muito menos evidentes e intensos do que os da menopausa, se exprimem pelo aparecimento de adiposidades, irritabilidade, insónia e até rubores faciais.

A complicar, existem alguns mitos profundamente enraizados na nossa sociedade: o natural termo da actividade sexual com a idade, a influência nefasta do sexo no estado de saúde, a conotação perversa ou viciosa se a expressão sexual continuar. A sexualidade do homem idoso é algo que extravasa a própria noção de sexualidade e de idade avançada. Abarca, sobretudo, a dificuldade em ultrapassar a pressão social que favorece a ideia de que a sexualidade é essencialmente uma coisa de juventude e que a idade é inevitavelmente acompanhada de disfunção sexual. Na verdade, não existe um problema com a idade, o que existe são problemas que acompanham a idade. Não havendo doenças – diabetes, aterosclerose,  hipertensão depressão ou outras patologias – nem cirurgias – a sexualidade, do ponto de vista físico e mental, tem obrigação de se manter activa e adequada.

No caso dos homens, a melhoria da função sexual devido às actuais terapêuticas, farmacológicas ou não, pode renovar a percepção da masculinidade e da autodignidade do homem idoso. Existem várias "armas" para combater o envelhecimento sexual masculino, nomeadamente fármacos vasoactivos penianos, testosterona e aconselhamento sexológico.

No caso das mulheres, as soluções terapêuticas para a disfunção sexual são limitadas, quase só dirigidas para os cremes que melhoram a lubrificação e favorecem a mucosa vaginal. Para o desejo sexual hipoactivo, a terapêutica hormonal com androgénios é pouco utilizada, por ser alvo de receios e suspeitas pouco fundamentadas.

Lidar com a sexualidadedo envelhecimento sempre foi lidar com o corpo e com o espírito que envelhecem. Mas actualmente, com mentalidade mais aberta e livre, os mais velhos estão melhor preparados para combater os mitos do passado, não desprezando viver a vida e viver a sua sexualidade. ​
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