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10 abril 2019
Texto de Rita Leça Texto de Rita Leça Fotografia de Ricardo Castelo Fotografia de Ricardo Castelo

«Farmácias são essenciais para resolver problemas do SNS»

​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​Ex-ministro da Saúde defende intervenção do farmacêutico para reforço da Saúde Pública.

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​«Essa ideia de que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está moribundo é um exercício de má-fé», disse Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, acrescentando que, de facto, o SNS «tem problemas» e, nesse sentido, as farmácias desempenham um papel essencial para a sua resolução e para o reforço da Saúde Pública.

«Existem mais de 2.500 farmácias espalhadas pelo país, com profissionais competentes, fundamentais para garantir a coesão territorial», sublinhou o ex-ministro do actual Governo, durante o XXIII Fórum Farmacêutico AEFFUP, subordinado ao tema “As farmácias comunitárias e o SNS: perspectivar o futuro”, que decorreu esta quarta-feira, dia 10, na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.



Garantindo que o «SNS está melhor do que estava há dois, três, quatro anos atrás» e que, «mesmo com a intervenção da Troika, o seu desempenho não piorou», Adalberto Campos Fernandes apontou as principais necessidades: «Aprofundar os meios de organização e de gestão e, claro, investimento, investimento, investimento».

Durante a sua comunicação, o anterior ministro reforçou também a importância da revisão da Lei de Bases da Saúde, focada nos novos desafios que se impõem, aliados à evolução tecnológica do país, mas evitando «querelas entre os sectores público, social e privado».

«Todos os profissionais devem colaborar, em conjunto, para a promoção da saúde e para a prevenção da doença. Trabalhar na saúde é hoje uma responsabilidade social», disse o antigo governante.

À saída, questionado pelos jornalistas sobre os preços dos medicamentos, Adalberto Campos Fernandes referiu que é necessário «investir muito nos genéricos» e melhorar a «negociação com a indústria» para garantir a acessibilidade a todos os portugueses.

 


«Vamos chegar ao primeiro lugar na confiança das pessoas»

Da parte da Associação Nacional das Farmácias (ANF), Paulo Cleto Duarte garantiu que as farmácias podem reduzir em muito a despesa pública e reforçar o SNS.

«Na lógica do que é a farmácia e o farmacêutico, o que podíamos fazer mais e melhor? Evitar a ida desnecessária às urgências; acompanhar os doentes que vão apenas aos hospitais para renovar a sua terapêutica; melhorar a gestão no caso dos doentes crónicos e/ou com doenças agudas; actuar na prevenção para detectar situações de risco», enumerou o presidente da ANF, para rapidamente concluir: «Algumas delas já fazemos e sem ter noção disso».



O objectivo das farmácias é conquistar o primeiro lugar nas escolhas de saúde dos portugueses, sendo que actualmente ocupam a terceiro posição da tabela dos cuidados de saúde mais valorizados, depois dos hospitais e dos centros de saúde. Como? Com as mais-valias que já têm: relação privilegiada com os utentes, revolução digital, relação com financiadores e outros parceiros. «Temos os melhores recursos; o importante não é conquistar, é manter e não estragar», reforçou Paulo Cleto Duarte.

Mostrando-se optimista em relação ao futuro, o presidente da ANF deu uma garantia a uma plateia cheia de jovens estudantes de Ciências Farmacêuticas: «Não vamos fazer parte do tabuleiro das profissões antigas. Podem ter a certeza disso».

 


«Medicamentos inovadores são cada vez mais caros»
Um dos principais desafios da profissão é, certamente, o preço dos medicamentos. Muitas vezes, estes estão dependentes ou de «uma cartelização, um adiamento da introdução dos genéricos ou um abuso de posição dominante, o que obriga os Estados a pagarem um preço demasiado elevado pelos medicamentos», como explicou Sónia Queirós, responsável pelas Relações Institucionais e Delegação em Bruxelas da ANF.



Outra questão premente em cima da mesa é o preço dos medicamentos inovadores. «São cada vez mais caros», sublinhou Sónia Queirós durante a parte da tarde do XXIII Fórum Farmacêutico.

 


Também Luís Lourenço, presidente da Secção Regional do Sul e Regiões Autónomas, da Ordem dos Farmacêuticos (OF), considera que a questão dos preços é preocupante e fracturante no país. 



«O facto de os preços dos medicamentos numa farmácia da aldeia serem mais caros do que numa farmácia da cidade cria desconfiança, quebra a relação de confiança dos utentes», disse Luís Lourenço, acrescentando que a competição entre as farmácias deve assentar nos serviços prestados. Ora, «como as farmácias nos centros urbanos têm mais vantagens, cria-se uma forma de competitividade apenas limitada», concluiu, perante os jovens estudantes.​

 



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