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17 março 2016
  Roteiro
Fotografia de  Alexandre Almeida Texto de Rita Leça
Porto novo

​​​​​​​​​​Se não visita o Porto há dois ou três anos já não o conhece. A cidade está numa revolução permanente. Mas voltará a sentir-se na velha casa do Norte de Portugal. A cidade concilia o antigo e o moderno e atrai milhões de visitantes. ​

O farmacêutico portuense Ricardo Alves apresenta-nos os seus lugares favoritos.​

Ricardo Alves nasceu em Coimbra, mas aos três meses já vivia no Porto, cidade da sua família, do seu clube e do seu coração. No entanto, o Porto da sua infância não é o mesmo que hoje se apresenta, orgulhoso de si, aos muitos visitantes que todos os dias o exploram. É comum ouvir o som das rodas das malas de viagem sobre o chão de calçada, enquanto no ar vários idiomas se encontram e se misturam.

«Nos últimos anos sentiu-se uma enorme mudança», conta-nos Ricardo Alves, farmacêutico de 35 anos, proprietário da Farmácia Firmeza, na rua com o mesmo nome situada na baixa portuense. O Porto deixou de ser «uma pequena cidade onde às 20h já não se via ninguém na rua», para ganhar um cosmopolitismo único no país. Uma «movida» conquistada com a remodelação de vários prédios antigos, abertura de lojas com conceitos personalizados e dezenas de restaurantes, bares, hotéis, hostéis, guesthouses, etc…

Facilmente se descobre o segredo: a cidade conseguiu conciliar harmoniosamente o antigo e o moderno. É comum encontrar uma loja que inaugura ao lado de um dos barbeiros mais antigos. Sem confrontações. E é talvez por isso que o nosso roteiro começa na Rua Miguel Bombarda, também chamada «a rua das galerias de arte».

De um lado e do outro, várias montras deixam antever objectos artísticos convidando a entrar, enquanto nos muros vários grafitis dão um colorido especial à rua. «Uma vez por mês todas as galerias abrem ao público, organizam-se animações na rua e enche-se de gente», conta-nos o farmacêutico, à medida que nos cede passagem para entrar no Rota do Chá, um lugar intimista, decorado ao estilo oriental, situado na mesma rua. Tomamos um chá para aquecer, aproveitando a tranquilidade de um pátio que, do lado de fora, poucos se arriscam a adivinhar.

Ruas abaixo entramos nos jardins que circundam o Palácio de Cristal. Contempla-se o final do dia, antes de descobrir toda a vida de um Porto quando a noite cai. Com marcação, é possível subir à Torre dos Clérigos e assistir, no alto, à dança de luzes e de gente. E ao «hábito recente de, após o trabalho, ir tomar um copo com amigos», em bares como o Candelabro ou a Aduela, somam-se as inúmeras ofertas à medida que as horas avançam. A Champanharia, o Gin House ou a Casa do Livro fazem as honras de uma noite que continua, depois, na Tendinha dos Clérigos, para os amantes do rock, ou no Pinguim, com as suas noites de poesia. Mas há mais: Plano B, Maus Hábitos, Passos Manuel ou o Mercedes já são famosos até para quem nunca visitou o Porto. E para petiscar até mais tarde, há sempre o Moonshine ou o Pipa Velha.


Ruas com história
Novas andanças em calçadas antigas na cidade que, para Eugénio Andrade, era «só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras». Uma procura que aceitamos também, como uma espécie de desafio deixado pelo poeta que viveu os seus últimos 50 anos no Porto e partimos, assim, para um passeio vespertino até à beira do Douro, na descoberta de alguns dos lugares mais antigos da cidade.
Da Rua dos Aliados seguimos até à Rua das Flores, tornada peatonal e que conduz ao Palácio da Bolsa, para chegar ao largo da Sé que, por coincidência, nos brinda com a melodia de um órgão e de vozes em coro, e nos apresenta através do seu miradouro a cidade completa, vista de cima, a desembocar no rio.
Continuamos: de um lado, o Museu de Arte Sacra, do outro ruas antigas e estreitas, calçadas gastas, roupas nos estendais. E um casal de estrangeiros a tirar fotografias sem cessar até chegarmos à Ribeira, património mundial da UNESCO, para contemplar o pôr-do-sol (afinal, o Porto não é sempre cinzento!). Escolhemos a esplanada do Wine Quay Bar, no Cais da Estiva, antes de caminhar paralelo ao rio e apanhar o Funicular dos Guindais para regressar à Batalha.

 Cidade amiga das crianças
E se o seu plano é um fim-de-semana em família, este «novo Porto» também não desaponta. Com jardins de encantar e muita oferta cultural é fácil recordar os tempos de meninice: ao percorrer o Passeio Alegre vai querer jogar uma partida de minigolfe e no Parque da Cidade será dificil resistir a um bom passeio de bicicleta.

Caminhar pela Baixa e visitar as suas gelatarias são outras opções recomendadas pelo nosso anfitrião, a fazer recordar outros tempos. «No Natal, costumava ir com a minha família para a Rua de Santa Catarina, ver as lojas, a rua cheia de gente e, às vezes, esperar o que pareciam ser horas sem fim para cortar o cabelo». A mesma rua onde passa agora maior parte do tempo, por ser perpendicular à da sua farmácia.
Na zona da Baixa, mas do outro lado da Rua dos Aliados, poderá provar «a melhor francesinha», garante Ricardo Alves. No Brasão, a espera pode ser longa devido à afluência, mas «vale a pena». Seja apreciador desta ou de outras iguarias, o Porto tem óptimas ofertas gastronómicas: a Casa Nanda, o Paparico, Reitoria, Casa de Pasto da Palmeira e o Tapas e Papas são disso alguns exemplos. Se for vegetariano, o restaurante Cultura dos Sabores tem uma ementa caseira e saborosa.
Mas o dia também pode ser passado de um modo cultural. A Fundação de Serralves oferece actividades específicas para famílias, além de várias exposições de arte e um restaurante com vários menus e vista garantida para os seus magníficos jardins. O Museu das Marionetas, o de História Natural da Universidade do Porto, a Casa da Música ou o Museu dos Transportes e Comunicações também são garantia de um dia bem passado. Há ainda o parque temático World of Discoveries, em Miragaia, onde toda a família poderá aprender histórias e pormenores dos tempos dos Descobrimentos portugueses.

Se tem mais uns dias, nada como ir para os arredores e aproveitar a vasta oferta de turismo rural, onde pequenos e adultos podem disfrutar da tranquilidade do lugar, aprender vários truques de agricultura e conviver com os animais.

Aliás, se é amante da Natureza pode visitar o Sea Life e descobrir os segredos da vida marinha, com tubarões, tartarugas e dezenas de espécies de peixes. Olhar as estrelas no Planetário ou conhecer os animais que vivem no Parque Biológico de Gaia ou os residentes do Jardim Zoológico da Maia são outras alternativas. Já em dias de muito calor, há o Parque Aquático de Amarante ou o Magikland, em Penafiel, para umas tardes de animação.
«O Porto é uma óptima cidade para educar os filhos», assume Ricardo Alves, pai vaidoso de duas meninas pequenas. «Apesar de ser a segunda maior cidade do país, ainda é pequena e tranquila, com boas escolas e bons acessos. Além disso, temos cá as nossas famílias, que desempenham um papel fundamental na sua educação».

Também a construção do Metro do Porto deu aos seus habitantes uma locomoção nova, impossível numa cidade onde os lugares de estacionamento são insuficientes para a quantidade de automóveis que todos os dias percorrem a cidade. «Antes perdia-se muito tempo no trânsito. Tempo que poderia ser aproveitado com a família ou amigos. Isso mudou muito com a melhoria no serviço de transportes públicos», desabafa o farmacêutico.

​Por tudo isto, não existe, para já, o ímpeto de morar noutro lugar. «Estabelecemos as nossas raízes aqui e somos felizes. Tenho a minha farmácia, que me dá imensa satisfação».​