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29 abril 2017
Texto de Rita Leça, enviada especial a Buenos Aires Fotografia de Paola Gallarato Fotografia de Paola Gallarato Texto de Rita Leça, enviada especial a Buenos Aires
Ex-aluno do Papa: «Ele pôs-me a cuidar dos porcos»

​​​​​​​​​​​​​​​​​Aos 18 anos entrou no seminário dos jesuítas e foi aluno de Jorge Bergoglio. Visitámo-lo e contou-nos tudo.

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Capa Reportagem Revista Saúda #19 Exclusivo online
Ernesto Giovando soube desde cedo que queria seguir a vida religiosa e, por isso, com apenas 15 anos, aproveitando a visita do Provincial da Companhia de Jesus, escola jesuíta, à sua escola, na província de Santa Fé, disse-lhe: «Quero ser padre!», mas teve de esperar três anos para entrar. O seu interlocutor era Jorge Mario Bergoglio, que sempre lhe respondia que era «muito jovem». Hoje, Ernesto Giovando parece seguir-lhe as pisadas, ao ocupar um cargo que também já lhe pertenceu: bispo auxiliar de Buenos Aires. Uma escolha do próprio Papa Francisco. 

Os estudos na escola jesuíta Colégio Máximo de San Miguel, na província da capital argentina, duraram 12 anos, nos quais Ernesto viu Bergoglio ascender ao cargo de reitor do seminário, em 1980. Ocupou o posto até 1986. Depois, foi professor de Filosofia e Teologia Pastoral, matéria a que assistiu Ernesto Giovando, que, até há pouco tempo, ainda guardava os apontamentos dessas aulas.

Naqueles tempos, eram cerca de 15 a 20 alunos por turma. E todos pediam os cadernos a Ernesto Giovando para fotocopiar as notas que tirava das aulas. Notas válidas ainda hoje, quando se pretende analisar o trabalho de Bergoglio à frente da Igreja Católica: «Ele é muito coerente. O que dizia aos noviços e aos estudantes no seminário, é o que diz hoje» como Papa.

«Era uma pessoa de grande carisma, um verdadeiro líder. Conciso nas palavras e preciso nas decisões», recorda Giovando. Exemplo disso foi o trabalho de Verão que Ernesto Giovando teve de desempenhar durante dez anos consecutivos: tratar dos porcos na horta do seminário. 

«Era um trabalho pesado e parecia-me um bocado estranho ter de cuidar de porcos. Então, dirigi-me a Bergoglio, na altura reitor, e disse-lhe: “Eu entrei na Companhia de Jesus para estudar, não para cuidar dos porcos”. Ao que ele me respondeu: “Bom, agora vais cuidar dos porcos, depois vais estudar. E se não tratas dos porcos agora, depois não vais poder estudar. Por isso, o melhor é ires já”.       

Moral da história: «Ser jesuíta não é apenas seguir uma carreira intelectual, mas é também o exercício de trabalhos mais duros e humildes, para formar a boa vontade no coração». 

Lições de vida que o b​ispo Ernesto Giovando não esquece.

 

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