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22 janeiro 2016
  Crianças
Texto de Eduardo Sá (Psicólogo) Texto de Eduardo Sá (Psicólogo)
Dorme, bébé

​​​Manual de instruções do sono das crianças.

1. O sono do bebé não pode ter protagonismo exagerado. Receio que os pais se tornem tão preocupados, que tanto as rotinas relacionadas com ele tendam a ser crescentemente menos coerentes e menos constantes, como, por outo lado, quer a mãe quer o pai, ao adormecê-lo, estejam (tantas vezes) tão expectantes que, por pouco, só falte um anúncio néon, na respectiva testa, do género: «Perigo! Alta tensão!» (o que assusta um bocadinho o bebé e, em consequência, o impede de adormecer).

2. É importante introduzir algum “músculo” nalgumas rotinas: no acordar (que, em condições boas, deve acontecer não muito pela manhã dentro), na sesta (que não deve tocar a segunda metade da tarde) e no adormecer. Os períodos de brincadeira com os pais devem ser antes do banho e este deve ser antes da refeição da noite. O adormecer deve dar-se na cama do bebé (de preferência, sem os pais a partir dos quatro meses). E os pais não devem acorrer a qualquer ruído do bebé (por vezes, ele choraminga ou balbucia a dormir e, ao acorrerem de pronto, os pais acordam-no).

3
. Dê duas semanas para “configurar” um bocadinho melhor o sono do seu bebé. Para que ele tenha espaço para os seus ensaios e para os seus erros. E para que ele “ganhe mão”, diante das rotinas que queira tornar mais coerentes e mais constantes.

4. Por mais que o sono dos pais seja precioso, ponha o do bebé em primeiro lugar. Não sacrifique o seu, obviamente. Mas, de tão tomado pelo cansaço, não queira resolver muito depressa o sono do bebé para que possa descansar. Ele sente a agitação nos seus olhos, na forma mais apertada e mais tensa como o agarra ou no ritmo mais agitado com que lhe dá palmadinhas no rabo.

5. Deixe de viver debaixo dessa aflição de se tornar má mãe ou pai sempre que o bebé chora. Por vezes, os sonhos dos bebés são tão intensos e tão realistas que eles choram a dormir. Às vezes, choram intensamente, sem acordarem, e, 15 ou 20 minutos depois, viram-se para o lado e continuam a dormir.

6. Sempre que falar com o seu bebé, não se preocupe com o que diz com a boca. Preocupe-se, sobretudo, com os seus olhos. 
E, depois, com os seus gestos. Se der o mais olhos que possa ao seu bebé e se se sossegar nos olhos deles – diga o que disser, dê as palmadinhas que der –, ele vai ficar tão sossegado, que a mãe ou o pai se transformará num… Anjo da Guarda!

7. O sono dos bebés resolve-se melhor a quatro mãos. Sem esquecer que a mãe e o pai precisam de dormir. Não deixe, portanto, que o trabalho do pai, no dia a seguir, seja uma desculpa para que o sono do seu bebé 
se torne uma tarefa só da mãe. E, nunca se esqueça, «Dorme, bebé!» jamais se suplica, não se pede e nunca se diz! Antes de deseja. Com toda a alma. •


Excerto do livro Dorme, Bebé (2013, Editora Dom Quixote, Grupo Leya, Alfragide)
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