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1 junho 2017
Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de Céu Guarda Fotografia de Céu Guarda Texto de Sónia Balasteiro
De serviço à fé do próximo
​Farmacêutica presta cuidados aos peregrinos há 36 anos.
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Farmácia Portuguesa #220
​Farmacêutica na Farmácia Paiva da Costa, em Lisboa, mãe de três filhos, Maria do Rosário Mota Capitão ruma, há décadas, para Fátima, em nome do amor que sente por Nossa Senhora. «Sinto-me acompanhada sempre que estou lá», explica. 

Em 1981 tornou-se Servita e passou a prestar auxílio aos milhares de peregrinos que todos os anos, nos aniversários das aparições de Nossa Senhora do Rosário, rumam ao Santuário. Acredita na generosidade e no serviço prestado aos outros.

A farmacêutica sente que age em nome de Maria. «Procuro tentar ser como se fosse Nossa Senhora a acolher cada um dos peregrinos». E acredita que, de cada vez que ajuda alguém, é muito mais o que recebe do que aquilo que dá. A generosidade, diz, é das pessoas com quem se cruza, «testemunhos de entrega total pelos outros».

A instituição a que pertence, Servitas de Fátima, existe desde 1924. Presta serviços de acolhimento e ajuda nos pontos de lava-pés, no posto médico, nas confissões, nas informações, nas admissões e nos retiros de doentes, no recinto e na capelinha.

Emocionalmente, um dos serviços mais fortes é o de lava-pés, explica. Há mais tempo para se ouvir histórias. Foi lá que Maria do Rosário conheceu um homem que há 22 anos ia a Fátima a pé. Prometeu à Virgem ir de Vila do Conde até ao santuário se a mulher se curasse. Ela curou-se, ele caminhou. «Mas achava que o amor deles era maior do que apenas uma ida, e há 20 e tal anos que ia, para perpetuar esse amor».​

Um outro homem, outrora preso por ser padre, no Camboja, disse-lhe: «Vocês, aqui em Portugal, têm muita sorte por estar tão perto de Nossa Senhora. Podem vir sempre que quiserem. Enquanto estive preso por ser padre católico, todos os dias, na minha cela, eu pensava em Fátima, e dizia que, quando pudesse, viria aos pés da mãe. Este é o momento da minha vida». Comoveu-se.

Também uma rapariga de Pombal viria a deixar uma marca profunda em Maria do Rosário. Conheceu-a no serviço de promessas, onde o apoio prestado passa por proteger os pés e os joelhos dos que vêm cumprir promessas. A jovem, de 17 anos, estava com amigos, e confidenciou-lhe que o grupo ia fazer o caminho de joelhos porque Nossa Senhora lhe havia pedido sacrifícios pelos pecadores. «Não estava a pedir nada para ela, mas pelos pecadores. Num mundo tão egoísta, uns gaiatos de 15, 16 anos fazerem aquilo, tocou-me muito». É dos outros que fala, das suas histórias e exemplos.

Uma mulher enlutada descia o Santuário de joelhos. O marido trabalhara nas minas e, como tantos outros, sofrera graves doenças pulmonares. Pediu a Nossa Senhora que o curasse. Maria do Rosário conta que, instintivamente, lhe perguntou por ele. «A senhora disse-me: “O meu marido morreu, mas achei que devia vir pelos outros homens que trabalham nas mesmas condições”». Ainda hoje a farmacêutica reza por aquela mulher: «É de um entendimento, de uma generosidade imensa», diz.

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​Cerca de cem voluntários auxiliam os peregrinos nos aniversários das aparições. Nos de maior participação, como se espera que aconteça este ano, por ser de comemoração do centenário, serão entre 120 a 160 pessoas. Da casa de Maria do Rosário serão cinco: ela, os três filhos e o genro, todos Servitas.

São esperados peregrinos de todo o mundo. «O apelo de Nossa Senhora ecoa pelo mundo inteiro», conclui a farmacêutica.
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