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11 fevereiro 2017
Texto de Marta Xavier Cuntim (Psicóloga clínica) Texto de Marta Xavier Cuntim (Psicóloga clínica) Ilustração de Mantraste Ilustração de Mantraste

Carta aos homens portugueses

​​​​​​​Aprendam a namorar com as mulheres líderes.
Rapazes, homens e senhores, já pararam para pensar por que razão as mulheres estão cada vez mais afastadas do romantismo? Será que o número de horas passado fora de casa, a trabalhar, está relacionado?

No século XX, as mulheres passaram por uma grande mudança e superaram os homens em muitos campos: maior número de títulos universitários, melhores notas. Mães solteiras ou sem filhos, que ganham acima de muitos  companheiros. Este acontecimento provocou uma alteração no paradigma da relação a dois, tal como a conhecíamos.

Cada vez assistimos a um maior número de homens que se sentem melindrados pelo poder das companheiras e com dificuldade em se adaptar a uma nova realidade. Não se espera que os homens ocupem o lugar que as mulheres tinham nos lares, até porque eles trabalham e continuam a ter um papel activo na sociedade. Mas era expectável que, a par desta mudança na vida das mulheres, os homens começassem a ter uma maior intervenção nas tarefas do dia-a-dia.

Na realidade, sabemos que os homens não se sentem intimidados por uma mulher forte e bem-sucedida. Muitos homens acham essas qualidades atraentes e gabam-se quando têm uma namorada com estas características. O problema é quando as qualidades que fazem a mulher ter tanto sucesso na vida profissional se atravessam na relação amorosa. Para uma mulher chegar ao topo da sua carreira precisa de ser decidida, teimosa e agressiva.

Estas “novas” qualidades das mulheres (que, entretanto, deixaram de ser submissas), juntamente com o facto de não precisarem de um homem, e dos homens sentirem que as mulheres não precisam deles, faz com que os ressentimentos comecem a aparecer e a relação começa a deteriorar-se, as discussões repetem-se constantemente e a vida sexual começa a desaparecer. Entramos, portanto, num beco sem saída. Isto é, as mulheres não precisam dos homens porque são independentes e autónomas e, por outro lado, os homens não se sentem necessitados nem valorizados. Em vez de termos duas pessoas a puxar para o mesmo lado da relação, temos pessoas a irem por caminhos opostos e a abrir um fosso entre ambos. 

O espaço que havia para o romance deixou de existir. Ou, pelo menos, deixou de haver a mesma energia por parte das mulheres. Também aqui é necessário dividir esforços. Não é por um homem ter comportamentos e atitudes românticas que é menos homem.
 
E como é que os homens podem ser mais românticos? A resposta é simples: sendo atenciosos, levando a um lugar romântico (um parque, um restaurante), preparando um jantar à luz de velas. Ou então prestar atenção ao que a mulher gosta, sair para jantar fora a dois (e não em grupos de amigos), escrever um bilhetinho com um simples “Amo-te” e colocar num lugar inesperado! Lembrar-se das datas importantes. Partilhar as tarefas domésticas, tratar a parceira com igualdade. De uma forma geral, fazer à parceira aquilo que gostava que lhe fizessem.

Um estudo publicado na revista Journal of Marriage and Family afirma que os casais que partilham tarefas domésticas têm mais relações sexuais. Os casais heterossexuais que não seguem estereótipos sexistas têm relações sexuais, em média, 6,8 vezes por mês, comparado com as cinco vezes dos casais em que apenas uma pessoa contribui nas tarefas. A historiadora Stephanie Coontz defende que “O amor costumava ser visto como uma atracção de opostos, e cada parceiro no casamento especializava-se num conjunto de capacidades, meios e emoções que, acreditava-se, faltava ao outro género. Hoje o amor baseia-se na partilha de interesses, actividades e emoções. Onde a diferença era a base do desejo, a igualdade está a tornar-se cada vez mais erótica”. 
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