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3 fevereiro 2017
  Opinião
Texto de Paulo Cleto Duarte Texto de Paulo Cleto Duarte
As farmácias de Aljubarrota

​​​​A opinião de Paulo Cleto Duarte, presidente da Associação Nacional das​ Farmácias.

A crise de Aljubarrota, salvaguardadas as devidas diferenças, ajuda-nos a compreender a crise das farmácias e a nossa resposta colectiva. As circunstâncias históricas, ontem como hoje, eram particularmente difíceis. Em Aljubarrota, o país também estava fragilizado, sem recursos e em risco de perder a independência. Lutámos com um pequeno exército contra um exército numeroso. Era fácil vaticinar a nossa derrota e a vitória do adversário. Mas não só vencemos como consolidámos a nossa independência rumo a um dos períodos mais brilhantes da nossa história: os Descobrimentos.
 
Em Aljubarrota, saímos vencedores de uma batalha que parecia perdida. Vemos nesse confronto histórico uma certa semelhança com o heroísmo dos proprietários de farmácia no tempo presente. Proprietários de farmácia  e seus colaboradores são  os heróis do combate à crise que se instalou no sector no período da Troika. Instalada a crise, as farmácias ficaram muito fragilizadas, à beira da destruição, pela avalanche de medidas que se abateram sobre elas.
 
Os seus recursos eram insuficientes e o sector entrou em colapso. Não faltou quem vaticinasse o nosso fim. Mas resistimos. À semelhança de Aljubarrota, as farmácias lutaram contra o destino que parecia traçado. Fomos corajosos e determinados. Unidos, soubemos agir naquilo que dependia de nós. 

Reestruturámos as farmácias. Mantivemo-nos unidos, como unido se manteve o pequeno exército em Aljubarrota. Preservámos a aliança com os doentes e construímos novas alianças. Soubemos antecipar movimentos e definir objectivos de curto, médio e longo prazo. Lutámos corajosamente, como os nossos ​antepassados. Não vencemos a batalha, mas sobrevivemos e começamos a ter esperança no futuro.
 
Somos os heróis da resistência à crise do Estado. Aqui chegados, é tempo de construir o futuro. Não esperamos novos Descobrimentos, mas apenas condições para cumprir com dignidade a missão de ser​viço público que nos está confiada. Estreitaremos relações com os doentes e os consumidores em geral. Reforçaremos a cooperação e o espírito de compromisso com os parceiros da Farmácia.
 
Promoveremos políticas colectivas de agregação da rede de farmácias, sem prejuízo da liberdade individual de cada uma delas. Continuaremos a defender uma política sustentável de financiamento da Saúde e do sector. Daremos prioridade aos objectivos de médio e longo prazo, porque são estes que garantem a reconstrução duradoura do negócio das farmácias.
 
O espírito de Aljubarrota é a nossa determinação, a nossa coragem, a nossa capacidade de organização e de combate, com os olhos postos na vitória. O pior tempo já lá vai, mas o melhor ainda não chegou. Todos juntos, vamos lutar por ele. Vamos vencer!​​
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