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26 agosto 2016
Texto de Sónia Balasteiro Fotografia de João Pedro Marnoto e Pedro Loureiro Fotografia de João Pedro Marnoto e Pedro Loureiro Texto de Sónia Balasteiro
A vanguarda do SNS

​​​​​A reforma dos cuidados primários já é uma realidade. Fomos visitar três USF do modelo B. Distinguem-se pelos incentivos financeiros e maior autonomia dos profissionais. E dão resultados, como declara a​ ERS.​

Tempo para ouvir o doente - USF Valongo


Uma equipa estável e madura, transparência, trabalho em rede para um objectivo comum, bom ambiente, um lugar onde todos têm voz. Todos estes atributos fazem parte do dia-a-dia da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Valongo, a primeira da Península Ibérica a ser, em Março, acreditada com o nível Óptimo pela Agencia Calidad Sanitaria Andalucia (ACSA), e pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). 

Antónia Lopes, de 48 anos, percebe porquê: «O atendimento não podia ser melhor», diz, bem-disposta. «A marcação de consultas funciona muito bem. Venho esta semana e marco já para a próxima». Em Valongo, a média de espera por marcação é de cinco dias.

Como é hábito no final de todos os anos lectivos, Antónia trouxe os seus três filhos à consulta de rotina. Desde os cinco anos que Bernardo, de 13, e os gêmeos Inês e Miguel, de 11, vêm a esta unidade. «Acho que o acompanhamento aqui é excelente. A nossa médica de família, a doutora Ana Paula, é óptima. Não troco», garante a mãe. Os elogios estendem-se aos restantes profissionais do centro. «A recepção e a enfermagem também funcionam muito bem».
 
Liliana Rodrigues, de 27 anos, sempre morou em Valongo. É utente desta USF desde a primeira hora. Grávida de 18 semanas, vem à sua primeira consulta de saúde materna. Ansiosa pela chegada do primeiro filho – «ou filha», diz, enquanto afaga a barriga já visível –, também sente que o «acompanhamento está melhor». «Fazem as análises aqui, o que é muito mais cómodo. Antigamente, tínhamos de ir a outro consultório. Agora, todo o processo tornou-se mais fácil com a separação da consulta pré-natal com a minha médica de família. Antes, as grávidas eram atendidas na consulta geral».

O segredo da satisfação dos utentes de Valongo, 15.100 no total, passa pela felicidade no trabalho. Como resume a enfermeira de família Lucinda Salvador, de 43 anos, que integra a equipa da USF desde o início, em 2006, «é muito importante a pessoa sentir-se bem». «Nós somos felizes aqui, e isso nota-se. Os resultados confirmam».

As USF trouxeram aos enfermeiros realização profissional e pessoal, explica. «Antes, trabalhávamos um bocadinho à tarefa e agora trabalhamos como enfermeiros de família. É uma valorização, e seguimos as orientações da Ordem [dos Enfermeiros]. É muito mais aliciante e motivador conhecermos as nossas famílias, envolvermo-nos com elas».

Esta é uma das características que distingue as USF: a motivação e valorização de todos os profissionais que as integram. De pequena dimensão, são prestadores de cuidados de saúde primários que têm a acessibilidade de cada utente no centro de todo o seu trabalho. Uma visão que é transversal a todos os seus membros.
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Carla Santos, de 38 anos, a mais jovem médica da USF de Valongo, onde fez o internato (esta é uma unidade formativa), resume: «Aqui tudo funciona muito bem. Há sempre bom ambiente, todos nós trabalhamos em conjunto para assegurar um bom desempenho. O objectivo é, acima de tudo, melhorara prestação de cuidadosaosnossosutentes». O trabalho em equipa, diz, é mesmo a principal diferença que sente em relação à Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) onde passou um ano, numa localidade próxima: «Trabalhamos muito em conjunto. Tentamos todos melhorar a situação. Lá, na UCSP onde estive, os médicos trabalhavam individualmente, não havia o conceito de trabalhar juntos para melhorar os cuidados».

Fátima Rodrigues, de 43 anos, concorda. Secretária clínica, que transitou do antigo centro de saúde para a USF, sente que «há sempre muita comunicação. Com todos, tanto com médicos como com enfermeiras». E exemplifica: «Quando as agendas estão mais sobrecarregadas, falamos com o médico e há disponibilidade para dar um tempo extra e atender utentes que necessitem de consulta. Quando há algum problema, falamos».

«Todos têm voz», diz a coordenadora da unidade, Margarida Aguiar. «Não há elementos diferenciadores numa reunião de equipa, todos têm oportunidade de expôr os problemas e de tentar avaliar os erros, para depois os evitar. Isso cria o desenvolvimento de equipa», explica a responsável. Para dar resposta às necessidades da população que serve, é também, continua a médica,​ essencial a complementaridade: «Quando temos procedimentos definidos para todos, toda a gente sabe o que tem de fazer. Por exemplo, se me falta um doente numa consulta de hipertensão, eu não preciso de dizer à minha secre​tária clínica que faltou. Ela sabe que faltou, através da agenda, e vai remarcar a consulta».

Como um organismo vivo, a confiança nos elementos da equipa é essencial para evoluir, e vai-se «fazendo gradualmente», assinala a médica. Para o conseguir, todas as semanas há reuniões que envolvem os 22 profissionais da USF, oito médicos, oito enfermeiros e seis secretárias clínicas, nas quais são debatidos os assuntos organizativos e de funcionamento.

Mas os resultados dependem também de outro elemento: a motivação. Que se consegue, explica Margarida Aguiar, através de novos objectivos. «Há uma continuidade, um caminho ascendente na qualidade. Se evoluirmos sempre, se houver mais um passinho para dar, mais um objectivo, a equipa fica mais estimulada. Portanto, nós concorremos a prémios… Temos sempre alguma coisa. Por exemplo, este ano já temos mais um concurso para fazer. Vencemos dois prémios de Saúde Sustentá​vel. Tivemos o Kaizen Lean. Temos sempre objectivos por anos. Pensamos: "O que é que vai ser a seguir?" Senão a equipa acomoda-se e isso não pode ser. E temos também o nosso processo de auditorias, que é muito abrangente, e também estimula. Fica toda a gente envolvida».

O envolvimento interprofissional não fica retido nas paredes da unidade. Há uma forte articulação com o hospital de referência, o Hospital de São João, no Porto, e com os outros organismos do agrupamento que a USF integra. «Para este triénio, fizemos um plano de acompanhamento interno relacionado com a referenciação para as outras unidades funcionais do Agrupamento ​de Centros de Saúde, como a Unidade de Cuidados na Comunidade. Referenciamos para a preparação para o parto e parentalidade; para o projecto Cuidar, para quem cuida de doentes dependentes. Inclui projectos relacionados com o atendimento no domicílio, de reabilitação no próprio local, temos um ginásio. E temos a Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados, que inclui as especialidades não médicas: a psicologia, a nutrição e a terapia da fala», enumera a responsável.

As farmácias da zona são também um «elo importante» da rede de cuidados primários. «Todas as pessoas que possam fazer com que o doente cumpra a medicação são bem-vindas. O farmacêutico é a pessoa mais próxima e que lhes dá a medicação. É uma mais-valia», sublinha Margarida Aguiar.

Em Valongo, a comunicação é efectiva. E essa eficácia traduz-se também em «tempo para ouvir o doente», conclui a responsável. Afinal, como sorri a alegre enfermeira de família Lucinda, «estar feliz é tão importante como o tratamento do penso ou o injectável. É mesmo um medicamento».

Um pedaço de céu na nossa terra - USF Serra da Lousã



Foi como entrar para o céu». É assim que José de Almeida, de 67 anos, descreve o que sentiu quando mudou para a Unidade de Saúde Familiar Serra da Lousã, a vila próxima de Coimbra onde nasceu e viveu toda a vida.

Chegou às 10h30 da manhã, bem antes da hora marcada para a consulta com a sua médica. «A família é toda acompanhada pela doutora Paula. Eu, a minha mulher, a minha filha, o meu genro e os meus netos. Também respondo pelos meus netos», conta, entre risos.

A relação, tanto com a médica como com o enfermeiro que segue a família, João Fernandes, é muito próxima. Na verdade, garante o sexagenário, a unidade «é uma extensão da nossa casa». Na sala de espera, aproveita para ler um livro, dar dois dedos de conversa. Já passou pelo aten​​dimento, cuja privacidade é assegurada por separadores de madeira.

«Acho que tenho um atendimento de primeira», comenta, bem-disposto, o reformado, desfiando os motivos da sua satisfação: «Há organização, rapidez. Há uma grande familiaridade com os enfermeiros, com os médicos. Muita, muita atenção, não tentam despachar-nos para atender o outro que vem a seguir. Estão sempre prontos a ouvir, a perguntar o que é que é preciso mais».

E José sabe bem a importância que isso tem na sua vida. Após perder um rim devido a um tumor, já lá vão dez anos, passou a ser visita habitual de hospitais e centros de saúde. Mas está «tudo controlado». Paula Braga da Cruz, que o segue desde 2007, dá-lhe as boas novas na consulta.

No gabinete, o sorriso da médica é acompanhado pelas perguntas de sempre. «Como estão os seus netos, a sua filha?». A médica é «parte da família», comentará o sexagenário.

Joana Simões, de 27 anos, tem uma visão idêntica dos cuidados de saúde que recebe. Descreve o que sentiu quando passou a ser seguida na USF Serra da Lousã. Esta manhã veio com Rui para a consulta da filha aos 15 meses.

Ter-se tornado utente aqui «foi excelente», assume a jovem mãe, enquanto chama a irrequieta Rita, ávida de explorar o mundo. «Quando vim de Miranda do Corvo para a Lousã, tive de arranjar um médico de família e fiquei aqui inscrita», conta bem-disposta: «É óptimo a todos os níveis: de espera, de marcação de consultas, de enfermeiro, de médico, de tudo».

E responde ainda com maior veemência quando Rui,​ sentado a seu lado, lhe atira: «Não é por ser aqui, as crianças são sempre atendidas mais rapidamente».

«Eu também sou. Enquanto tu esperas uma hora no teu centro de saúde, eu aqui não. Nunca estou à espera mais de meia hora por uma consulta, ou menos».

O diálogo ilustra o que sente a maioria dos utentes desta unidade de saúde: acesso à saúde e proximidade. Na sala de espera, há poucas pessoas. Rapidamente são chamadas pelas secretárias clínicas aos gabinetes dos seus enfermeiros ou médicos de família.

Para aqui chegar, como explica o coordenador, João Rodrigues, «houve uma mudança de paradigma. Há um processo assistencial integrado», sublinha o médico. «E horizontal». É assim desde 2007, ano em que foi criada a unidade, formada por seis médicos, seis enfermeiros e quatro secretários clínicos, que formam as "equipas nucleares". Compostas por três profissionais cada, estas equipas acompanham as mesmas famílias e têm-se mantido ao longo dos anos. Formam dois grandes grupos.

Na copa do centro, onde todos os dias os profissionais da USF se encontram pelas 11h da manhã, para um intervalo de convívio, o ambiente é alegre. Brigite Ferreira, de 28 anos, faz parte do «futuro da USF», como a apresenta, descontraído, João Rodrigues: «Sem internos, não há continuidade».
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A jovem sorri, enquanto termina o seu lanche. Natural de Coimbra, Brigite é um dos nove internos da especialidade em Medicina Geral e Familiar a integrar a USF. Chegou há três anos e meio ao centro, que escolheu por ser «uma unidade de topo». «A unidade Serra da Lousã estava em primeiro lugar a cumprir aquilo que contratualizava. E impressionou-me. Decidi vir porque seria uma unidade que teria muito para me ensinar e fazer crescer», explica.

Os elogios à organização em que trabalha estendem-se à sua formação. «Procuramos beber o conhecimento de todos osprofissionais. Háumestímulo àactualizaçãopermanente». Mas não só, continua, entusiasmada: «Sei que posso contar com a minha enfermeira no momento em que preciso dela, sei que a minha secretária clínica está ali quando preciso. Não há blackouts, não se saber o que é que se está a passar.

As regras são rigorosas, claras e bem definidas. Fazemos um esforço permanente no sentido de prestar o melhor serviço possível».

A articulação é constante, tanto dentro da unidade, como com outros prestadores de cuidados de saúde da comunidade. Com as três farmácias da vila, explica João Rodrigues, «comunica-se via email ou telefone». «Temos feito algumas reuniões em conjunto para discutir os problemas de articulação, tendo melhorado os canais de comunicação».

Acordou-se que os médicos internos da USF passam na farmácia um dia de trabalho para a conhecer melhor. Um dos objectivos é «impedir que ocorram rastreios oportunísticos que não reúnam os critérios de continuidade de cuidados».

O enfermeiro de família João Fernandes trabalha com a médica Paula Braga da Cruz há já oito anos. Sente-se «muito valorizado». «Estamos a trabalhar como enfermeiros de família, o que é óptimo, porque sabemos tudo sobre o utente. Conhecemos o ciclo familiar todo, desde que a criança nasce. Vamos a casa 15 dias após o nascimento fazer a visita domiciliária ao recém-nascido e à mãe».

Nesta unidade, comunicar com médicos e enfermeiros é fácil. Todos têm um cartão de visita, com o número de telefone e o email. Os horários de cada um são facultados em papel e estão disponíveis no site da instituição e na mesa interactiva, localizada no rés-do-chão. «Sabem que podem recorrer a nós se precisarem de ajuda. Qualquer coisa, ligam directamente para o gabinete».

Com 9.760 utentes inscritos, a USF Serra da Lousã é acreditada, desde Junho de 2013, com o nível Avançado/ Bom pela DGS e ACSA de Andaluzia. Assume-se como uma unidade “disponível” que tem como objectivo garantir acessibilidade e continuidade dos cuidados de saúde. Como? Sobretudo, procurando «a satisfação de profissionais e utentes», resume João Rodrigues.

Para o conseguir, a USF organiza actividades que envolvem a comunidade, como o dia da criança e a comemoração anual do aniversário da unidade. Para a equipa, também há caminhadas regulares pela Serra da Lousã, almoços na USF e jantares fora.

«Sou a responsável pelo Núcleo da Felicidade», diz, a rir, a médica Paula Braga da Cruz. E acrescenta logo: «Estamos a preparar a comemoração deste ano. Todos os anos envolvemos a comunidade no aniversário». Descreve o seu quotidiano com entusiasmo: «É realmente uma experiência do estar em família. Somos um grupo de trabalho em que nos damos todos bem, há um ambiente muito tranquilo. Ao contrário do que as pessoas costumam dizer: "vou de férias e não apetecia voltar", apetece-me voltar. Não venho contrariada para o trabalho, venho todos os dias satisfeita, bem-disposta». E a sua alegria traduz-se na relação com os seus doentes, conclui. «Tenho crianças que já andam na escola primária, algumas no ciclo, e fui eu que segui a gravidez da mãe. Eles chegam e vão partilhando o que se passa. Sou médica dos avós, dos pais, dos filhos… Acabamos por fazer parte da família»

TV não entra - USF Marginal S.João do Estoril



De algumas janelas da USF Marginal, em S​ão João do Estoril, vê-se o mar e a famosa estrada que liga Cascais a Lisboa. Ao entrar na unidade, o tom do oceano encontra-se nas paredes da Sala de Acolhimento, o nome que a equipa da unidade, acreditata com o nível Bom desde Dezembro de 2015, preferiu chamar à sala de espera. A ideia, explica a coor​​denadora da unidade, Ana Ferrão, é que «as pessoas não estejam muito tempo à espera. Que se sintam acolhidas». Por isso, há um cantinho para o café.

Na mesa interactiva digital é possível aceder a infor​mações sobre a USF em português, mas também em espanhol, francês, inglês e russo, as línguas mais faladas por quem frequenta este centro de saúde.

É à entrada da sala, onde desembocam os corredores, que cada enfermeiro ou médico de família chama o utente pelo nome. O ambiente é tranquilo, há poucas pessoas na sala. Quésia, de 33 anos, acaba de voltar do gabinete onde o enfermeiro de família, Ângelo, a recebeu. Acordou a sentir-se «um pouco mal», ligou para a unidade e conseguiu consulta para o próprio dia, sorri a brasileira. Quando não tem urgência, também nunca tem de esperar muito. «Uma semana, 15 dias no máximo», arrisca.

A curiosidade da sua bebé, Ana Vitória, quase a completar um ano de vida, não cabe na sala dos crescidos, e Quésia leva-a para a Sala das Crianças onde, em vez de televisão, há livros. A menina exulta com as cores e texturas que a envolvem, entrando no mundo da fantasia, como só as crianças sabem.

Todo o historial clínico de Ana Vitória está aqui, nesta unidade. «Quando engravidei dela, em 2014, o meu marido tinha médico de família cá, então eu pedi transferência do centro de saúde, onde estava, em Cascais», conta Quésia, com sotaque do nordeste do Brasil. «Sinto bastante diferença. Aqui eu me sinto mais acolhida. Lá me sentia muito dispersa». E elucida: «Tenho uma médica de família, a doutora Pascale que, para mim, tem sido excelente. Aqui eu me sinto mais acolhida mesmo, por todos».

A bebé Ana Vitória é seguida pela equipa de saúde que os pais – na Marginal, chama-se micro-equipa e é composta pelo médico, o enfermeiro de família e o secretário clínico. A mãe não podia estar mais satisfeita com o acom​​​​panhamento da filha: «A primeira consulta, que eu até me admirei, foi em casa. Eu tinha acabado de ter "neném" e eles foram na minha casa fazer o teste do pezinho, ver se estava tudo bem. Foi muito bom o acompanhamento com ela», conta, abrindo o rosto num sorriso.

Na consulta do primeiro ano, a bebé receberá um presente: um livro de histórias. Todas as crianças, a partir dos seis meses, o recebem quando vão à consulta de Saúde Infantil. «Em cada idade-chave do desenvolvimento oferecemos um», explica, entusiasmada, Ana Ferrão.

O objectivo é a promoção da literacia infantil e, através dela, a capacitação em saúde. Desenvolvido desde o segundo ano de actividade da unidade, aberta em 2007, em articulação com o Plano Nacional de Leitura, o Ler + na Marginal é um dos projectos mais queridos da equipa: «Ao promover a literacia precoce, estamos a melhorar a capacitação das pessoas para a utilização dos serviços, para entender a informação», explica a responsável.

Os fund​os conseguidos em 2015 com o prémio Missão Sorriso permitiram alargar o projecto, continua. «Agora temos, não só os nossos gabinetes médicos, mas também na sala de Saúde Infantil, um ambiente estimulante da literacia porque estão lá livros de histórias, não há televisão ligada».​

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A prestação de cuidados personalizados à população, cerca de 18 mil pessoas, a prevenção da doença e promoção da saúde, dando resposta a doenças crónicas e situações agudas, é transversal à organização e a todo o trabalho desta USF.

Uma das características da Marginal, criada em 2007, é «considerar que o mais importante são as pessoas». Precisa Ana Ferrão: «As que servimos e os profissionais». Essa missão, diz por seu lado a enfermeira de família Laura Nunes, que acabou de chegar das visitas domiciliárias, faz com que se sinta realizada. «Conhecermos os utentes ajuda na continuidade dos cuidados. A estabilidade da equipa é muito importante, porque vamos aprendendo a trabalhar uns com os outros e isso torna a cooperação mais fácil», diz, satisfeita.

Vanessa Sá, de 26 anos, é uma das mais recentes “aquisições” da unidade. Chegou em Janeiro, atraída pela «dinâmica organizacional», conta. «Enquanto internos, estamos numa fase vulnerável da nossa aprendizagem. E aqui há uma equipa muito diversa».
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Na USF, há reuniões semanais dos três grupos profissionais, com almoço pelo meio e, uma vez por mês, reunião de seis horas com toda a equipa, nove médicos, nove enfermeiros, um dos quais a meio tempo.

Os 11 internos partilham gabinete com os médicos que os orientam. «Não é fácil esta gestão, mas há um enriqueci​mento muito grande», comenta a orientadora, Ana Ferrão.

Afinal, «as USF são sistemas vivos e dependem muito de fluxos de informação para se manterem vivas. Estarmos abertos quando recebemos internos, alunos de Enfermagem, alunos de Medicina, implica termos de estar actualizados. E eles também vêm bem preparados. Criam fluxos de informação».

 

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