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23 março 2017
Texto de Carina Machado Fotografia de Pedro Loureiro Fotografia de Pedro Loureiro Texto de Carina Machado
«O MONAF dá-nos autonomia»

​​​​​​Para a família Parreira Cardoso, o Montepio da Farmácia é sinónimo de liberdade.

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Farmácia Portuguesa #219
José e Maria de Fátima são alentejanos, ele de Cuba, ela de Beja, ambos farmacêuticos há mais de 40 anos, casados há outros tantos. Estudaram em Lisboa e por lá ficaram, ele na Indústria, ela no Ensino. O regresso ao Alentejo deu-se pelas Análises Clínicas, mas pouco tempo depois daria origem a uma farmácia, em Figueira de Cavaleiros, «que ainda hoje tem o meu nome», conta José, continuando a desfiar o novelo da sua história comum: «voltámos a Lisboa, para o Intendente, com a Farmácia Góis, uma das primeiras a fazer troca de seringas». Ali permaneceram 12 anos, «mas eu era um dos que andava gritando por todo o lado que queria uma lei que me deixasse sair de Lisboa». Mal a legislação mudou, transferiram-se para Famões, em Odivelas, local a que chamam casa. 

Maria de Fátima interrompe-o, diz que não é bem sobre aquilo que a jornalista o quer ouvir falar, mas José insiste no contexto. «Nunca fomos ricos. Não tínhamos fortuna pessoal, pelo que sempre nos preocupámos em ter alguma disciplina de poupança. E assim que conheci o MONAF, aderi. É nosso. Sabe? Já anteriormente tinha andado a sofrer por outras entidades. Na Indústria não me trataram mal, mas não tinha quem me defendesse. Quando lancei o laboratório, a banca cobrava-nos 30% de juros, mas tinha de lá ir buscar dinheiro para pagar ordenados, porque a ARS de Beja chegou a dever-nos com nove meses de atraso. Portanto, eu sabia bem o que era viver isolado, sem ninguém que me defendesse. Em grupo funcionamos, as pessoas têm mais força». 

O casal testemunha, sem qualquer reserva, que foram várias as vezes que tiveram de recorrer ao financiamento do MONAF. «Uma vez até em litígio com um outro banco que, com financiamento aprovado e escritura marcada, perdeu o processo relativo a esta loja. A arrogância com que depois lidaram connosco, achando-se com a faca e o queijo na mão, fez com que ligasse ao MONAF para fazer uso das nossas reservas matemáticas». «Como dizem lá na terra, foi dito e feito», acrescenta Maria de Fátima, secundada por José, em orgulhoso tom confessional: «Tive o prazer de dizer aos senhores “deixe lá, agora já não quero”. O MONAF também nos dá essa autonomia». 

Hoje, com 67 anos, estão ambos reformados, ambos recebem rendas, e têm outras operações a decorrer, «para somar quando formos mais velhos». 

«O MONAF dá-nos uma sensação de conforto. Nunca tivemos muito dinheiro, fomos sempre juntando aos poucochinhos, e sempre que acabava um plano, a Dra. Rosa [Tomás, do MONAF] ligava: “Querem receber ou querem continuar?”. E eu, metade recebia sempre e a outra metade aplicava. Fui ganhando confiança, e sempre que pingava qualquer coisinha, era uma alegria… Eu só me questiono é como é que a gente nova não adere mais a isto», comenta Maria de Fátima. 

«Mas nós também somos responsáveis», diz José. «Fomos nós que os criámos com montes de facilidades. Ainda não interiorizaram o importante que é ter uma “almofada”, estão-se borrifando para a poupança».

Nem de propósito, o filho, João, chega da rua. Junta-se à conversa. Sente-se obrigado à apologia da sua geração. «É verdade que a tal geração beneficiada de que fala o meu pai não foi habituada a poupar, mas as falências e escândalos em instituições bancárias nos últimos anos também não ajudam». João compreende que as pessoas se questionem sobre a validade de colocar as poupanças em risco. E acha-se um sortudo. Era, há muito, beneficiário, mas como não é farmacêutico, só com a alteração dos estatutos se pode tornar associado. Coisa que fez com gosto, pois esta é uma instituição à qual reconhece solidez. 
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